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A Chevron já opera na Venezuela, onde enfrenta restrições, e a aquisição se alinha à sua estratégia de diversificação. A apreensão de um petroleiro venezuelano sob bandeira russa pelos EUA gerou tensões diplomáticas com a Rússia, que acusou os EUA de violar o direito marítimo.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A proposta, revelada na quarta-feira, 7 de janeiro, pelo jornal britânico Financial Times, vem à tona no mesmo dia em que o governo americano anunciou a apreensão de um petroleiro da Venezuela que navegava sob bandeira russa em águas internacionais do Oceano Atlântico, o que gerou protestos do governo de Moscou.
A eventual negociação envolvendo a Chevron e o fundo de private equity sediado no Texas abrange todo o portfólio de ativos internacionais da Lukoil, incluindo a produção de petróleo e gás, instalações de refino e mais de 2.000 postos de abastecimento na Europa, na Ásia e no Oriente Médio.
Caso o acordo seja fechado, a Chevron e a Quantum planejam dividir os ativos entre si, avaliados em US$ 22 bilhões pela Lukoil. Além da participação da Chevron, o fundo de private equity planeja adquirir os ativos em colaboração com a Artemis Energy, empresa de seu portfólio sediada em Londres.
A Quantum recusou-se a confirmar o negócio, assim como a Chevron. “Por política da empresa, não comentamos declarações de terceiros nem assuntos comerciais”, disse ao FT um porta-voz da petroleira americana.
Fontes citadas pelo jornal britânico, porém, confirmaram que a Quantum, fundada pelo magnata do petróleo texano Wil VanLoh, já havia entrado em contato com funcionários do governo de Donald Trump sobre a proposta e argumentado que ela consolidaria a propriedade americana sobre ativos energéticos de importância estratégica.
A venda dos ativos internacionais da Lukoil precisa de autorização do governo dos EUA porque, após as sanções de outubro, qualquer operação envolvendo a empresa — inclusive a venda de subsidiárias fora da Rússia — está legalmente bloqueada e só pode ocorrer mediante uma licença específica emitida pelo Departamento do Tesouro.
Sem essa autorização, qualquer comprador ou intermediário estaria violando sanções financeiras dos EUA, mesmo que a transação ocorra fora do território americano.
O processo de leilão teve início em novembro, quando a empresa suíça de comércio de commodities Gunvor desistiu de um acordo com a Lukoil para a aquisição dos ativos, após o governo Trump afirmar que bloquearia a transação por classificar a Gunvor como “marionete do Kremlin”.
Os ativos não-russos da Lukoil atraíram depois propostas do fundo de private equity Carlyle e do conglomerado International Holding Company, de Abu Dhabi, mas não houve confirmação de que as negociações teriam evoluído.
O tempo corre a favor da proposta conjunta da Chevron com a Quantum, uma vez que o Departamento do Tesouro concedeu uma prorrogação para que empresas interessadas negociem com a Lukoil até 17 de janeiro – qualquer acordo precisaria da aprovação dos órgãos reguladores dos EUA, o que daria ao presidente Donald Trump um poder de veto efetivo.
Um alto funcionário do governo dos EUA saudou a proposta da Quantum-Chevron. “Estamos buscando uma alienação que coloque a propriedade desses ativos nas mãos de um proprietário e operador americano por tempo indeterminado”, disse a fonte, citada pelo Financial Times. “Não queremos uma situação de compra e revenda, então esta é uma opção atraente.”
Para a Chevron, a aquisição de ativos da Lukoil se encaixa em sua estratégia de diversificação. A petroleira americana mantém presença na Venezuela há décadas – que detém as maiores reservas de petróleo do mundo.
Atualmente, as operações da Chevron no país são limitadas por licenças especiais dos EUA. A empresa produz cerca de 200 mil barris por dia por meio de diversas joint ventures com a estatal venezuelana PDVSA. Parte dessa produção é exportada para refinarias americanas na Costa do Golfo.
Tensão com a Rússia
O fato de Trump ter admitido que a operação militar americana na Venezuela tinha como objetivo obter controle da produção do petróleo do país sul-americano reforçou a intenção da Casa Branca de coibir o mercado internacional clandestino de combustíveis fósseis.
Mesmo sob sanções americanas, a Venezuela exportava petróleo para a China, o mesmo ocorrendo com a Rússia – que vende sua produção, abaixo do preço internacional, para a Índia e outros países, além da China.
A apreensão, pelos EUA, do petroleiro Marinera, que navegava sob bandeira russa, abre uma nova frente de tensão diplomática, agora entre o governo americano e o de Vladimir Putin. A Rússia emitiu um comunicado acusando os Estados Unidos de violarem o direito marítimo – a apreensão ocorreu no Atlântico Norte, em águas internacionais.
“De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, a liberdade de navegação aplica-se em alto mar, e nenhum Estado tem o direito de usar a força contra embarcações devidamente registradas nas jurisdições de outros Estados”, afirma o comunicado.
A embarcação, que antes se chamava Bella 1, havia sido interceptada inicialmente pelos EUA perto do litoral venezuelano no final de dezembro, mas conseguiu escapar ao cerco. O navio, que estava vazio, passou a receber escolta de um submarino russo.
Para evitar atritos com a Rússia, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou após a apreensão que o bloqueio de petroleiros venezuelanos “continua em vigor em todo o mundo”.
Fonte: NeoFeed
