A caneta emagrecedora virou comprimido. E a dona do Ozempic e do Wegovy está ganhando com isso

wegovy comprimido

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A Novo Nordisk, após enfrentar desafios com o Ozempic, lançou um comprimido emagrecedor, o Wegovy, em 5 de janeiro nos EUA, surpreendendo analistas com 3.071 prescrições iniciais.

As ações da empresa subiram 8,34% em Nova York e 6,5% em Copenhague. A companhia prioriza o mercado americano antes de expandir para outros países, buscando evitar escassez como ocorreu com a caneta em 2021.

Analistas do UBS acreditam que, se as prescrições ultrapassarem 400 mil no primeiro trimestre, o desempenho será comparável ao do Mounjaro da Eli Lilly. Especialistas do Berenberg projetam vendas de US$ 1 bilhão em 2026.

O novo CEO, Maziar Mike Doustdar, busca recuperar o crescimento na área de obesidade. O comprimido está disponível em farmácias como CVS e Costco.

O valor de mercado da Novo Nordisk caiu para US$ 209,25 bilhões, menos da metade do que valia há dois anos e meio, com uma desvalorização de 25,5% na NYSE nos últimos 12 meses.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Após ir “do céu ao inferno”, a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk parece ter encontrado uma nova fórmula para voltar a crescer: o comprimido emagrecedor.

Desde que a caneta emagrecedora Ozempic, que virou uma febre global, perdeu terreno a partir da chegada do Mounjaro, da concorrente Eli Lilly, a Novo Nordisk vinha encontrando dificuldades para agradar os investidores.

Mas, na sexta-feira, 16 de janeiro, as ações da empresa chegaram a operar em alta de mais de 8% na bolsa de Nova York. Na Bolsa de Copenhague, a valorização alcançou 6,5%. O motivo foi o bem-sucedido lançamento do comprimido do Wegovy nos Estados Unidos.

Em cerca de 10 dias, foram feitas 3.071 prescrições para a compra da solução oral para emagrecimento, o que vem surpreendendo os analistas.

Os dados com os primeiros resultados das vendas do produto no mercado americano, o principal para tratamento de obesidade no mundo, oferecem uma visão do impacto do primeiro modelo de comprimido que chega às farmácias.

E, por enquanto, a companhia vai navegar sozinha neste mercado inovador, a exemplo do que aconteceu no caso das canetas. A perspectiva é de que, até abril, o Food and Drug Administration (FDA) decida se aprova ou não o registro do comprimido com semaglutida da Eli Lilly.

Neste primeiro momento, a Novo Nordisk está priorizando o atendimento nos Estados Unidos, antes de expandir as vendas do comprimido do Wegovy para outros países, para tentar evitar o que ocorreu no lançamento da caneta no país, em 2021, quando foi registrado escassez do produto.

“Os primeiros sinais são positivos e estamos encorajados pelo feedback de nossos colaboradores”, diz a companhia em comunicado, segundo informações da Reuters, embora reconheça que ainda é cedo para falar sobre as tendências de vendas do medicamento oral.

Analistas do banco UBS afirmam que, se as prescrições de médicos para compras do comprimido ultrapassarem a marca de 400 mil ainda no primeiro trimestre, seria comparável ao lançamento da tirzepatida, que são fabricados com o nome comercial de Mounjaro e Zepbound, pela Eli Lilly, que foi mais forte do que a caneta da empresa dinamarquesa.

Especialistas do banco alemão Berenberg acreditam que a pílula emagrecedora da Novo Nordisk pode gerar cerca de US$ 1 bilhão em vendas em 2026, caso a empresa consiga aproveitar ao máximo o pioneirismo do medicamento e o período em que operar sozinha no mercado farmacêutico.

O novo momento da empresa ocorre seis meses após a troca do CEO global. Em julho de 2025, Maziar Mike Doustdar assumiu a cadeira de Lars Fruergaard Jorgensen, justamente com a missão de recuperar espaço e capturar novas oportunidades de crescimento na área de combate à obesidade.

Os comprimidos estão sendo vendidos nas redes de farmácias CVS, a maior dos Estados Unidos, e Costco, além de canais digitais de outras empresas e de sua rede própria de farmácia online, a NovoCare.

“Há indícios iniciais de que o comprimido Wegovy é uma opção atraente tanto para novos pacientes quanto para aqueles que buscam manter o progresso obtido com outro GLP-1”, disse à Reuters Zach Reitano, CEO e cofundador da Ro, que atua na área de telessaúde.

Suchita Shah, sócia sênior da consultoria BCG na área de saúde nos Estados Unidos, afirma que o lançamento da pílula da Novo Nordisk e, posteriormente, da Lilly, impulsionarão o mercado de emagrecimento neste ano.

Dados da consultoria Fortune Business Insights mostram que o mercado global dos medicamentos análogos ao GLP-1 é de US$ 62 bilhões. Os Estados Unidos respondem por 55% desta fatia. O Brasil tem cerca de 3% deste mercado.

Em setembro de 2023, no auge da popularidade global do Ozempic, a Novo Nordisk chegou a ser a empresa mais valiosa da Europa, avaliada, naquele momento, em US$ 425 bilhões, superando o grupo de luxo francês LVMH. Em março de 2024, ela chegou a ultrapassar a Tesla.

Atualmente, o valor de mercado da farmacêutica dinamarquesa é de US$ 209,25 bilhões, menos da metade do que valia há dois anos e meio. No acumulado de 12 meses na Nyse, os papéis da companhia acumulam queda de 25,5%. Na Dinamarca, a desvalorização acumulada é de 35,3%.



Fonte: NeoFeed

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