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A Gerdau, maior produtora de aço do Brasil, enfrentou dificuldades em 2025, com queda de 7% no Ebitda, totalizando R$ 10,1 bilhões, e redução de 21% no lucro líquido, que alcançou R$ 3,4 bilhões.
O CEO Gustavo Werneck destacou a falta de apoio do governo para conter as importações de aço, especialmente da China, que representam 25% do mercado nacional. Apesar do desempenho positivo nos EUA, onde a receita aumentou em R$ 1 bilhão, as perdas no Brasil não foram compensadas.
Werneck acredita que o pior já passou e que o governo está reconhecendo práticas desleais de comércio.
A Gerdau planeja um capex de R$ 6,1 bilhões para 2026, 24% menor que em 2025, e espera que medidas de defesa comercial possam melhorar o cenário a partir de 2027. No quarto trimestre, o lucro caiu 38,5%, sendo o segundo pior em 10 anos.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Maior companhia produtora de aço do Brasil, a Gerdau sentiu o reflexo direto de uma queixa sistemática de seu CEO, Gustavo Werneck, no resultado de 2025: a enxurrada do aço importado, especialmente o chinês, no mercado nacional impactou os números da empresa.
No balanço do ano passado, a Gerdau registrou Ebitda de R$ 10,1 bilhões, queda de 7% sobre o ano anterior. O lucro líquido ajustado caiu 21%, e alcançou R$ 3,4 bilhões.
O reflexo do cenário ruim foi tão grande no resultado da empresa que nem o bom desempenho financeiro da companhia nos Estados Unidos conseguiu neutralizar as perdas na receita.
“A proporção do Ebitda gerado na América do Norte em relação ao gerado no Brasil cresceu. Isso significa que aqui foi pior do que a gente imaginava e lá está melhor do que a previa. Hoje, a Gerdau vive duas realidades diferentes”, disse Werneck, durante coletiva de imprensa na terça-feira, 24 de fevereiro.
Nos Estados Unidos, segundo a companhia, a operação gerou R$ 1 bilhão de receita a mais do que o registrado em 2024, enquanto no Brasil, foi R$ 1,5 bilhão abaixo do que foi gerado no ano anterior.
“A demanda de aço segue sólida. O problema não é a economia e sim esta penetração muito intensa de aço importado. O Brasil sempre teve isso, mas agora estamos vendo uma competição muito desleal”, afirmou o CEO da companhia, em resposta à pergunta do NeoFeed.
A avaliação do executivo é que o volume de presença do produto importante no mercado nacional está muitas vezes acima do que seria um cenário saudável e aceitável, que seria na casa de 10% a 11% de participação.
Mas, segundo Werneck, o nível de presença do aço de fora do país hoje é de 24% no caso de aços planos (em 2020 era 10,9%). No total, o share do produto importado no Brasil é de 20,8%, contra 9,3% registrados há cinco anos.
“É um fato que a operação na América do Norte não foi suficiente para compensar as dificuldades enfrentadas na operação brasileira, que foram muito impactadas pelas importações do aço”, disse Rafael Japur, CFO da Gerdau.
De qualquer forma, Werneck, que foi muito crítico com o governo federal durante todo o ano de 2025, cobrando soluções de defesa comercial, acredita que o pior cenário já passou. E que o próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) vai barrar essa estrada aberta.
“Os técnicos do ministério já estão realizando estudos e chegando a esta conclusão de que há um comércio desleal. É muito significativo quando estas avaliações avançam e o governo começa a comprovar que tem havido dumping”, afirmou.
Segundo ele, a administração federal já detectou esse mecanismo desleal por parte de produtores chines de bobina a quente. A expectativa, segundo o CEO da Gerdau, agora é de otimismo, com a possibilidade de uma solução definitiva a partir do segundo semestre.
“Nosso pedido não é para bloquear ou fechar as fronteiras do Brasil. Mas que esta competição venha para um patamar justo”, disse Werneck.
“Não vai transformar o cenário em curto prazo, mas mostra uma tendência bem positiva para nós. Por isso que mantenho a crença que, em 2026, a gente não vai precisar fechar novas plantas produtivas neste momento”, complementou.
Na visão do executivo, a chegada do período eleitoral, que será mais intensificado justamente no segundo semestre, não deve afetar as investigações comerciais realizadas pelos técnicos do ministério comandado hoje pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
Ainda assim, a redução a receita também está presente na decisão do registro de uma baixa contábil de R$ 2 bilhões, referente a perdas pela ausência de recuperação de ativos em unidades fabris da empresa no País.
Outro impacto grande na redução do volume de investimentos planejado para 2026, como o CEO da Gerdau alertou que aconteceria durante boa parte do ano passado, caso não houvesse uma sinalização de providência por parte do governo federal.
Por isso, a empresa hoje trabalha com um volume de capex de R$ 6,1 bilhões, uma redução de 24% sobre o montante realizado em 2025, de R$ 4,7 bilhões. Na prática, são R$ 1,4 bilhão a menos para novos projetos a partir de um cenário ruim que foi construído.
“Hoje há pouco espaço de manobra para mudar esse caminho em 2026, porque boa parte destes projetos já está na fase de desembolso. Mas se a gente ver que essas medidas de defesa comercial são efetivas, a gente pode rever esse cenário para 2027”, afirma Japur.
No quarto trimestre, o lucro caiu 38,5% sobre o período anterior, com R$ 670 milhões registrados. O volume caiu 7,3%. “Foi o segundo pior trimestre dos últimos 10 anos, só atrás do quarto trimestre de 2015, no auge da crise política, com impeachment e Lava Jato”, afirmou Japur.
No acumulado de 12 meses, as ações da Gerdau registram valorização de 30%. A companhia está avaliada em R$ 40,3 bilhões.
