Tempestade perfeita no BRB: aumenta risco de liquidação do banco (antes impensável)

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

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A crise do BRB se intensifica com a prisão do ex-presidente Paulo Henrique Costa, acusado de receber propina do banqueiro Daniel Vorcaro. O risco de liquidação do banco pelo Banco Central, antes considerado impensável, aumenta à medida que a instituição enfrenta dificuldades em atrair investidores para seu plano de capitalização.

Funcionários apoiam a governadora Celina Leão, que busca salvar o banco, mas reconhecem que a demora pode levar à liquidação. O BC e o BRB tentam evitar essa opção, que poderia causar um risco sistêmico.

A possibilidade de uma federalização do BRB já foi negada pelo Ministério da Fazenda, e a governadora afirma que o banco é sólido e superará a crise. O BRB busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões e planeja vender carteiras de crédito.

A Polícia Federal investiga fraudes envolvendo o BRB e o Banco Master, com Costa sendo uma figura central no esquema. A nova gestão do GDF, no entanto, reafirma seu compromisso com a transparência.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Brasília – A crise do BRB continua escalando. De um lado, o ex-presidente Paulo Henrique Costa foi preso pela Polícia Federal por suposta propina recebida do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master; de outro, o banco público de Brasília vê aumentar o risco de uma liquidação pelo Banco Central (BC), última e mais drástica medida que pode ser tomada nesse caso.

O NeoFeed apurou junto à alta cúpula do banco estatal que a alternativa, antes impensável, pode se tornar realidade, à medida em que o tempo passa e a instituição financeira enfrenta cada vez mais dificuldades de atrair investidores para o seu plano de capitalização acordado com a autoridade monetária.

Funcionários do BRB têm apoiado a postura da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, que tem procurado demonstrar maior engajamento do que o antecessor Ibaneis Rocha (MDB) na tentativa de salvar o banco. Mas admitem que, se demorar, não restará alternativa ao BC a não ser liquidar o banco controlado pelo Governo do DF.

Os próximos meses, portanto, serão cruciais para a sobrevivência do banco, revelam pessoas à frente das negociações. Tanto o BC quanto o banco vêm se esforçando para evitar essa opção, mesmo porque ela tem um potencial explosivo de causar um possível risco sistêmico no setor financeiro.

Além do mais, é incomum no mercado a liquidação de bancos regionais ou estatais – o desfecho mais utilizado é a privatização, lembra uma fonte do BRB. Essa alternativa, no entanto, já foi negada pelo presidente do BRB, Nelson de Souza.

Em tese, uma saída para contornar uma temida intervenção ou liquidação pelo BC seria uma federalização do BRB, mas o Ministério da Fazenda e os dois bancos públicos já negaram que haja essa intenção. E na quinta-feira, 16 de abril, o novo ministro José Guimarães (Relações Institucionais) afirmou, no Palácio do Planalto, ser “radicalmente contrário a socorrer o BRB”.

Nos primeiros dias de sua administração – Celina foi vice-governadora na gestão Ibaneis –, a atual governadora e o presidente Nelson já viajaram a São Paulo para se reunir com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e tiveram conversas com instituições privadas e investidores virtuais que podem comprar carteiras do BRB.

O BRB vive uma profunda crise e vem tentando obter um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e bancos. Ao mesmo tempo em que negocia vender carteiras de crédito bem avaliadas no valor de R$ 4 bilhões. A gestora de ativos independente Quadra Capital, que administra portos no Espírito Santo, demonstrou interesse em adquirir a carteira de ativos que o BRB comprou do Master.

O empréstimo, no entanto, teria como garantia imóveis do patrimônio público do GDF, que já geraram mal-estar no mercado e disputa política. Um dos prédios, uma área de proteção ambiental conhecida como “Serrinha do Paranoá”, foi parar na Justiça e ao tomar posse, Celina acabou retirando-o da lista.

A responsabilidade agora sobre o futuro do BRB é de Celina, após a saída de Ibaneis Rocha (MDB) do GDF para disputar as eleições ao Senado, após fortes pressões da oposição local que vem até defendendo publicamente sua prisão.

“O banco está sob nova gestão. É importante separar o banco de toda essa situação, porque o BRB é um banco sólido, é um banco realmente que vai sair deste momento de dificuldade”, afirmou Celina na quinta-feira, 16 de abril, em evento em Brasília.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

Na próxima quarta, 22 de abril, deve ocorrer uma nova tentativa de uma assembleia geral extraordinária do BRB para votar um aumento de capital para o banco, após a primeira reunião ter sido cancelada. O banco pretende vender ações para levantar até R$ 8,8 bilhões.

Compliance ataca novamente

A Polícia Federal (PF) deflagrou na quinta, 16, a quarta fase da operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes estimadas em mais de R$ 12 bilhões entre o Banco Master e o BRB. Dessa vez, o ex-presidente Paulo Henrique Costa foi preso.

Na primeira fase, ele foi afastado da presidência e vem sendo apontado como peça importante para desvendar os detalhes da tentativa de compra do Master pelo banco público de Brasília e possíveis irregularidades.

A partir de mensagens trocadas com Vorcaro, foi revelada uma negociação envolvendo o pagamento a Paulo Henrique de seis imóveis em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146 milhões. Em uma das mensagens no celular do banqueiro do Master, ele afirmou a uma corretora de imóveis: “Preciso dele feliz”.

Em nota, a governadora Celina Leão sustentou que o envolvimento de Paulo Henrique Costa no escândalo do Banco Master é um caso de competência do Judiciário, a quem cabe julgar.

“A nova gestão à frente do GDF reafirma seu compromisso com a transparência, o respeito às instituições e a legalidade, e seguirá colaborando com as instâncias competentes”, acrescentou.



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