The Rolling Stones, o fenômeno musical que desafia o tempo e se recusa a ter fim

The Rolling Stones, o fenômeno musical que desafia o tempo e se recusa a ter fim

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Os Rolling Stones, com 64 anos de carreira, são a banda de rock mais antiga em atividade e rivalizaram com os Beatles.

Mesmo após a morte de Brian Jones e Charlie Watts, Mick Jagger e Keith Richards, aos 83 anos, mantêm uma força criativa notável. A banda sempre soube gerenciar sua imagem, misturando arte e comercialismo sem perder a originalidade.

O livro de Christopher Sandford, “The Rolling Stones: Sessenta anos”, destaca essa fusão e a evolução dos shows em megaeventos. Apesar de erros técnicos, a intensidade emocional das apresentações é o que cativa o público.

A trajetória dos Stones é marcada por crises pessoais, como o suicídio de L’Wren Scott, e a morte de Watts, que simbolizava estabilidade. A banda continua a enfrentar desafios contemporâneos, como a retirada de “Brown Sugar” do repertório.

Sandford conclui que os Stones são um histórico que desafia o tempo e a ideia de fim.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Nunca houve e nem haverá uma banda de rock como The Rolling Stones. Por uma abundância de motivos. Primeiro, porque é a mais antiga em atividade na história da cultura pop, com 64 anos de estrada completados este ano. Segundo, está no topo desde o primeiro disco e rivalizou com os Beatles enquanto estes existiram.

Mesmo com a morte de dois de seus fundadores, Brian Jones e Charlie Watts, sua força criativa continua a desafiar o tempo e a brevidade da vida: Mick Jagger e Keith Richards, que chegam aos 83 anos, continuam com uma jovialidade artística única.

Em meio a um mar de boatos ao longo das décadas sobre o fim da banda, os Stones souberam desenvolver uma carreira, ancorados na irreverência e na falta de compromisso com regras e rigores morais. Richards, por exemplo, adora dizer que é um milagre da natureza estar vivo, depois de consumir caminhões de drogas pesadas.

Tiveram também jogo de cintura para driblar os puristas e afirmam sem pudor que transformaram sua arte em produto, sem perder, porém, a originalidade e a qualidade. Ao contrário de muitos artistas que tentam separar “pureza artística” de sucesso comercial, os Stones abraçam essa fusão com naturalidade.

No aniversário de 50 anos do primeiro disco, em 2015, por exemplo, lançaram uma série de produtos — livro, documentário (Crossfire Hurricane) e coletânea (GRRR!) —, sem se importar em dizer que continuam sendo uma máquina cultural e financeira.

É a partir desse ponto de vista que Christopher Sandford reescreveu, no ano passado, o que muitos definem como a melhor biografia do grupo — um tijolo de 737 páginas que chega ao Brasil na primeira semana de maio para marcar o aniversário de 61 anos do primeiro disco.

Sandford é autor das biografias aclamadas de Kurt Cobain, Steve McQueen, Eric Clapton, Mick Jagger, David Bowie, Paul McCartney, Keith Richards, Bruce Springsteen e Roman Polanski.

Em The Rolling Stones: Sessenta anos , o jornalista reforça a ideia do lado comercial da música com uma citação de William Shakespeare: “Vendi barato o que é mais caro”. Desse modo, sugere que a tensão entre arte e dinheiro é antiga, mas, no caso dos Stones, resolvida com pragmatismo.

Mesmo com mudanças na formação, com duas mortes pelo caminho, o grupo continua a mobilizar multidões em seus shows. O mais impressionante é que muitos fãs nasceram décadas depois das músicas que cantam.

Desde os anos 1970, as apresentações dos Stones evoluíram para megaeventos altamente produzidos, com tecnologia, iluminação massiva e cenários monumentais. “A banda emerge no palco como se fosse parte de uma narrativa teatral, reforçando o caráter de espetáculo total”, escreve Sandford.

O desleixo que virou estilo

No entanto, o autor observa uma contradição fundamental: o rock, que nasceu como expressão de liberdade e transgressão, agora ocorre em ambientes altamente controlados, com regras regulatórias para o público e onipresença de patrocinadores. Essa transformação cria um paradoxo — a música dos Stones, que simboliza a rebeldia, é consumida em um contexto quase corporativo.

Mesmo como gigantes do rock, eles não são apresentados no livro como músicos técnicos perfeitos. Pelo contrário, erros como o de Keith Richards ao tocar Start Me Up reforçam a ideia de que a banda sempre operou com um certo desleixo que se tornou estilizado.

Mas isso faz parte do charme, sugere Sandford: o público não busca precisão, mas intensidade. Canções clássicas podem soar mais pesadas ou simplificadas ao vivo, o que não diminui o impacto emocional. O verdadeiro valor está na experiência coletiva — um espetáculo “arrebatador” que depende mais da energia compartilhada para que a execução seja impecável.

Com 737 páginas, o livro custa R$ 109 (Foto: Editora Record)

O guitarrista Brian Jones, de suéter marrom, foi figura central na concepção dos Stones. Morreu, em 1969, aos 27 anos, vítima de uma overdose (Foto: Festival do Rio)

Morto em 2021, o baterista Charlie Watts era a figura mais estável do grupo (Foto: commons.wikimedia.org)

Aos 83 anos, o guitarrista Keith Richards adora dizer que é um milagre da natureza estar vivo, depois de consumir caminhões de drogas pesadas (Foto: keithrichards.com)

Mick Jagger, com 83 anos, segue liderando a banda (Foto: commons.wikimedia.org)

A trajetória dos Stones é marcada por uma impressionante capacidade de sobrevivência diante de crises pessoais e eventos trágicos. O livro destaca o suicídio de L’Wren Scott, companheira de Jagger, como um momento particularmente devastador. A ocorrência pública do artista ao dizer “Nunca vou esquecê-la” mostrou um lado mais humano do artista, frequentemente visto como símbolo de excessos.

O lançamento do disco Blue & Lonesome , em 2016, foi um retorno às raízes do blues, mas também evidenciou as limitações da banda em idade avançada, segundo Sandford. Enquanto os críticos elogiaram o álbum, vozes como a de Greil Marcus o consideraram fraco e afirmaram que “todos (os músicos) estão entediados”.

Para o autor, essa divisão de opiniões revela um ponto central: o valor dos Stones já não é apenas na inovação musical, mas em seu legado: “A nostalgia se torna parte essencial da experiência — ouvir os Stones é, em grande medida, reviver uma era”.

O livro dedica atenção às vidas pessoais dos membros e mostra como envelheceram de maneiras distintas. Jagger continua ativo e até se tornou pai aos 73 anos, enquanto Keith Richards projetou um estilo de vida mais tranquilo e recluso, passando por uma reflexão sobre a mortalidade.

Watts aparece como a figura mais estável, com um casamento íntimo e hábitos discretos, resumidos em sua frase: “O segredo para um relacionamento de sucesso são banheiros separados”. Essas diferenças reforçam a ideia de que, apesar da imagem coletiva, cada um avançou um caminho singular.

A morte de Watts, em 2021, foi um baque na história da banda. Ele não era apenas o baterista, mas um símbolo de estabilidade dentro do caos dos Stones. Ainda assim, eles continuam, substituindo-o por Steve Jordan.

A continuidade após essa perda reforça a lógica central da banda: nada é capaz de interromper completamente sua trajetória. Em paralelo, nos anos recentes, os Stones enfrentaram novos desafios, como as mudanças culturais que afetaram seu repertório, como a retirada de Brown Sugar dos shows, por causa do conteúdo controverso.

É uma mudança importante: uma banda conhecida por desafiar limites agora precisa lidar com sensibilidades contemporâneas. Ainda assim, seu impacto permanece gigante, observa Sandford. O crítico Rich Cohen, citado pelo autor, resumiu essa trajetória ao afirmar que eles “viveram, morreram e renasceram diversas vezes”.

A conclusão implícita do livro é: mais do que uma banda, os Stones são um aspecto histórico que desafia o tempo — e talvez até a própria ideia de fim.



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