A nova vítima da crise do carro elétrico: Honda perde US$ 15,7 bilhões

A nova vítima da crise do carro elétrico: Honda perde US$ 15,7 bilhões

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A montadora japonesa Honda enfrentará um prejuízo de US$ 15,7 bilhões, o primeiro em cinco décadas, devido à crise no mercado de veículos elétricos nos EUA.

A empresa cancelou vários modelos, incluindo o Honda Série O SUV, e prevê perdas de até 2,5 trilhões de ienes relacionadas a essa mudança de estratégia.

A Honda planeja focar em veículos híbridos elétricos e capitalizar os lucros de suas divisões de motocicletas e serviços financeiros. Executivos da empresa, incluindo o CEO Toshihiro Mibe, terão cortes salariais. O prejuízo líquido estimado varia entre 420 e 690 bilhões de ienes, contrastando com a previsão anterior de lucro.

A Honda se junta a outras montadoras, como Stellantis, Ford e GM, que também registraram perdas significativas, elevando o total da indústria para cerca de US$ 67 bilhões.

A demanda por veículos elétricos caiu drasticamente, dificultando a lucratividade. A montadora também busca expandir sua presença na Índia.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O estouro da bolha da indústria do veículo elétrico, especialmente no mercado dos Estados Unidos, acaba de causar mais uma “vítima” no setor automotivo: a montadora japonesa Honda.

Pela primeira vez em cinco décadas, a companhia vai amargar um prejuízo de US$ 15,7 bilhões, recursos relacionados a despesas e perdas com a mudança de estratégia para este segmento. A empresa tinha projetos de vários modelos, que agora serão encerrados.

Entre eles, o modelo Honda Série O SUV, que chegou a ser apresentado no fim de 2025, com perspectiva de início de produção global entre 2026 e 2027. Havia até a perspectiva de que o mercado brasileiro recebesse o automóvel, que agora não seguirá de fase.

A montadora japonesa afirmou, na quinta-feira, 12 de março, que as despesas e perdas com ligação direta ao segmento de carros elétricos podem totalizar até 2,5 trilhões de ienes no ano fiscal que termina em 31 de março, e nos próximos anos, após suas principais concorrentes globais também terem apresentado perspectivas negativas sobre os modelos de automóveis a bateria.

Com isso, a Honda anunciou que decidiu cancelar o lançamento e o desenvolvimento de vários modelos, em resposta à desaceleração do mercado de veículos elétricos nos Estados Unidos. A empresa também prevê perdas a partir dos investimentos que já haviam sido feitos na China, justamente para tentar enfrentar o até então avanço de outras montadoras.

A montadora asiática agora pretende fortalecer seus modelos de veículos híbridos elétricos, para melhorar a rentabilidade de seu negócio automobilístico. A empresa também planeja capitalizar os lucros de seus negócios de motocicletas e serviços financeiros para manter retornos estáveis ​​para seus acionistas.

Como consequência do resultado negativo, a companhia japonesa informou também que a maior parte de seus executivos abrirão mão de parte de seus salários no próximo ano fiscal. O CEO Toshihiro Mibe vai receber, durante três meses, 30% menos de seus rendimentos.

Segundo os dados divulgados pela empresa, o prejuízo líquido ficará entre 420 bilhões (US$ 2,6 bilhões) e 690 bilhões de ienes (US$ 4,3 bilhões) para o ano fiscal. O volume é muito diferente da previsão anterior, que apontava lucro líquido de 300 bilhões de ienes (US$ 1,9 bilhão).

Este volume consolidado passa a ser o primeiro prejuízo anual desde que a empresa começou a divulgar seus resultados consolidados, em 1977. A previsão de receita anual, no entanto, permaneceu em 21,1 trilhões de ienes (US$ 132 bilhões).

Em fevereiro, a montadora japonesa já havia reportado prejuízo em seu negócio de carros no último trimestre, encerrado em dezembro, devido às tarifas americanas e baixas contábeis relacionadas a veículos elétricos, apesar do crescimento do lucro em seu negócio de motocicletas.

A mudança de estratégia da Honda para veículos elétricos ocorre após movimentos semelhantes de montadoras rivais, que também estão se afastando dos veículos elétricos, que muitos americanos ainda relutam em comprar. A exemplo da empresa japonesa, muitas delas também tiveram que registrar baixas contábeis em seus balanços.

A maior dela foi da Stellantis, dona da Jeep, Fiat e Peugeot, entre outros, que, em fevereiro, registrou baixa contável de cerca de US$ 26 bilhões. Em dezembro, a Ford já havia anunciado um prejuízo da ordem de US$ 19,5 bilhões.

Em janeiro, a General Motors (GM) teve uma queda de US$ 6 bilhões relacionados ao fim do projeto de carros elétricos. A participação da Honda neste volume de prejuízos eleva o total da indústria para cerca de US$ 67 bilhões.

Embora os analistas esperassem mais perdas relacionadas a veículos elétricos na Honda, a magnitude da baixa contábil foi considerada uma surpresa, segundo Julie Boote, analista do setor automotivo da Pelham Smithers Associates.

“A principal surpresa foi o cancelamento do programa de produção nos Estados Unidos, em vez de apenas sua redução. A Honda tinha um plano de expansão de veículos elétricos muito ambicioso, que foi gravemente afetado pelas mudanças no mercado”, afirmou.

O CEO da Honda declarou que a demanda por veículos elétricos caiu drasticamente, tornando “muito difícil” manter a lucratividade.

Além de seus principais mercados, Japão e Estados Unidos, a Honda afirmou que fortalecerá sua linha de modelos e sua competitividade de custos na Índia, onde vê espaço para expansão.

Sob pressão das concorrentes chineses, as montadoras japonesas têm se concentrado cada vez mais na Índia, um mercado onde as fabricantes da China ainda estão praticamente excluídas.

Na bolsa de Tóquio, as ações de Honda acumulam alta de 1,26% em 12 meses. Em 2026, a queda é de 7%. A montadora está avaliada em US$ 41 bilhões.



NeoFeed

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