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Em 3 de fevereiro, três grandes empresas americanas anunciaram mudanças em suas lideranças: a Disney nomeou Josh D’Amaro como novo CEO, o PayPal escolheu Enrique Lores para o cargo, e a HP Inc. teve Bruce Broussard como presidente interino. Essas movimentações refletem uma crescente rotatividade nas lideranças, com um levantamento da consultoria Spencer Stuart indicando que cerca de um em cada nove CEOs foi substituído em 1,5 mil das maiores empresas dos EUA em 2025, a maior taxa desde 2010.
O cenário atual é marcado pela ascensão da inteligência artificial e instabilidades econômicas. Além disso, as novas lideranças são, em média, mais jovens e menos experientes, com mais de 80% dos novos CEOs em 2025 sendo estreantes. O número de mulheres CEOs, no entanto, caiu para 9%.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Uma dança das cadeiras movimentou três grandes empresas americanas em 3 de fevereiro. A começar pela Disney que anunciou, enfim, o sucessor do CEO Bob Iger. Josh D’Amaro foi o escolhido para assumir o posto por unanimidade pelo conselho de administração do grupo.
No mesmo dia, o PayPal anunciou Enrique Lores como seu novo CEO, em substituição a Alex Chriss, que estava há apenas dois anos no cargo. Como reflexo dessa mudança, Bruce Broussard foi nomeado presidente interino da HP Inc., comandada, até então, por Lores.
Longe de um dia atípico no alto escalão de grandes companhias listadas dos Estados Unidos, a data só reforçou que a rotatividade nos quadros das lideranças é uma agenda cada vez mais presente para essas empresas.
Um levantamento realizado pela consultoria americana Spencer Stuart, destacado pelo The Wall Street Journal (WSJ), ressalta que não se via uma safra tão grande de novos CEOs à frente das companhias de capital aberto nos Estados Unidos há pelo menos 15 anos.
De acordo com o relatório, cerca de um em cada nove CEOs foi substituído em 1,5 mil das maiores empresas listadas do país em 2025. Essa é a maior taxa desde pelo menos 2010, quando os Estados Unidos estavam se recuperando da crise de 2008.
Ao mesmo tempo, nada indica que esse ritmo esteja diminuindo em 2026. Além dos exemplos citados, empresas como Walmart, Procter & Gamble e Lululemon também recorreram a esse expediente nesse início de ano.
Em outro exemplo dessa corrida, a varejista Target anunciou Michael Fiddelke como novo CEO em 5 de fevereiro. Ele substituiu o veterano Brian Cornell, que comandava a companhia há mais de onze anos.
A consultoria observa que essa movimentação acontece em um contexto no qual as empresas precisam lidar com a ascensão meteórica da inteligência artificial, as mudanças profundas em práticas comerciais consolidadas e um cenário bastante instável do ponto de vista da economia e da ordem geopolítica.
“Estamos em um novo ambiente e alguém que vá repetir as estratégias do passado não está necessariamente certo”, afirmou James Citrin, head global de CEOs da Spencer Stuart e responsável pelo relatório, ao WSJ.
Ele complementou que ‘se o CEO não conseguir gerar impulso tanto internamente, com bom desempenho operacional, quanto com os investidores, os conselhos de administração ficam ainda mais impacientes do que antes”.
Em outros números que traduzem esse cenário, empresas com um valor de mercado combinado de US$ 1,3 trilhão nomearam ou perderam seus CEOs apenas no último trimestre de 2025. Essa relação inclui nomes como a Verizon e a Yum Brands, controladora das redes de fast food KFC, Pizza Hut e Taco Bell.
As companhias que trocaram ou perderam os executivos à frente de suas operações nesse início de 2026 têm, por sua vez, um valor de mercado combinado de US$ 2,2 trilhões. O Walmart, comandado desde o início do mês por John Furner, representa quase a metade desse montante.
Algumas dessas mudanças já estavam em curso há mais tempo. Esse é o caso da Berkshire Hathaway, onde Greg Abel assumiu o posto de Warren Buffet em 1º de janeiro, como parte de um plano de sucessão proposto pelo “Oráculo de Omaha” em 2021.
Outras movimentações, no entanto, pegaram o mercado de surpresa, como a saída de Lores da HP Inc., rumo ao PayPal. E também a decisão da Codexis, de biotecnologia, de substituir repentinamente o CEO Stephen Dilly, no cargo há três anos, pela CTO Alison Moore, além de reduzir 24% de seus quadros.
O levantamento também mostra que essas mudanças têm sido marcadas pelas saídas de veteranos dessas empresas dos cargos de comando – casos, por exemplo, de Doug McMillon, do Walmart, após mais de dez anos, e do próprio Buffett, que liderava a Berkshire Hathaway há seis décadas.
Ao mesmo tempo, a Spencer Stuart identificou que os novos CEOs são mais jovens e menos experientes do que as gerações anteriores. A média de idade dessa nova safra é de 54 anos, em comparação com quase 56 anos na lista de nomeados em 2024.
Em outros números, mais de 80% dos 168 CEOs que assumiram o posto no ano passado eram estreantes nessa posição, sem uma experiência prévia na gestão de empresas listadas ou de grandes companhias independentes. Dois terços deles nunca haviam atuado em um conselho de administração.
Alguns deles, como Paul Shoukry, da Raymond James, são mais jovens do que seus antecessores quando assumiram essa cadeira. O executivo de 42 anos foi promovido de CFO a CEO em fevereiro de 2025, no lugar de Paul Reilly, que tinha 55 anos quando foi nomeado para o posto, em 2010.
O estudo mostra, porém, que o número de CEOs mulheres recuou em 2025. Apenas 9% das nomeações envolveram executivas, contra o patamar de 15% em 2025. No geral, cerca de 9% dos CEOs das empresas do S&P 500 são mulheres.
Fonte: NeoFeed
