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A possibilidade de federalização do BRB, em meio à crise do Banco Master, é considerada um “não assunto” no Banco do Brasil (BB) e na Caixa, com presidentes e o Tesouro Nacional negando discussões sobre o tema.
A presidente do BB, Tarciana Medeiros, afirmou que não há conversas sobre a federalização, e o banco mantém discrição em relação a negociações de carteiras de crédito. O Tesouro também não discute a questão, e a Caixa só tomará decisões com a anuência do Ministério da Fazenda.
O presidente do BRB, Nelson de Souza, rejeitou a ideia de federalização, privatização ou intervenção. Recentemente, a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou um projeto que permite ao BRB tomar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para recuperação de capital, utilizando imóveis públicos como garantia.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Brasília – Ventilada no mercado, a possibilidade de uma eventual federalização do BRB, envolvido diretamente na crise do Banco Master, é tratada como tema espinhoso e gera aversão nos corredores do Banco do Brasil e da Caixa, bancos estatais federais que em tese deveriam participar de uma negociação assim, se fosse esse o caso.
No BB, por exemplo, trata-se de um “não assunto” e tema evitado nas rodas de conversa. A interlocutores, a presidente Tarciana Medeiros tem negado que o assunto esteja sobre a mesa e nem que tenha discutido a respeito com a equipe econômica do governo, segundo apurou o NeoFeed.
O banco tem mantido discrição em relação ao assunto e mantém segredo até em relação a possíveis negociações para compra de carteiras de crédito que vêm sendo oferecidas pelo próprio presidente do BRB, Nelson de Souza. O banco público de Brasília, que busca se capitalizar após a PF revelar um esquema de fraudes com o Master estimadas em mais de R$ 12 bilhões, já sondou diversos bancos privados.
Uma fonte lembra que o BB até figura como um dos principais compradores de carteiras de crédito consignado no mercado atualmente, inclusive em negociações com instituições estatais estaduais e regionais, mas a hipótese também não vem sendo comentada dentro do banco federal. Essa opção também teria que contar com aval do Tesouro, que pede garantias aos Estados para operações como essa, mas os indicadores fiscais do Governo Distrito Federal (GDF) também se encontram ruins.
Segundo apurou o NeoFeed, o assunto não chegou a ser discutido entre os bancos federais de forma geral e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). E não há nenhuma discussão ou decisão a respeito dessa que é considerada uma das soluções mais drásticas para o BRB.
Essa inclusive deve ser a linha das respostas que os bancos estatais precisam encaminhar ao Tribunal de Contas da União (TCU). Na sexta-feira, 27 de fevereiro, o ministro do TCU, Bruno Dantas, deu 15 dias para que o BB, a Caixa, o BNDES e o Ministério da Fazenda esclareçam se há estudos ou análises acerca de uma possível federalização.
O NeoFeed apurou, no entanto, que eventuais questões do TCU que envolvam a divulgação de estratégias ou dados comerciais serão evitadas pelos bancos federais ao responder esses questionamentos.
Dantas atendeu uma representação do Ministério Público junto à Corte de Contas. O subprocurador-geral, Lucas Furtado, solicita ao TCU que tome providências como: analisar a viabilidade técnica, jurídica e financeira da federalização do BRB; avaliar os impactos fiscais e orçamentários para a União e instituições financeiras federais; e identificar eventuais riscos e fragilidades ligados à medida.
Na Caixa, a orientação é para que o banco, controlado 100% pela União, somente tome qualquer decisão sobre federalização sob anuência do Ministério da Fazenda. O presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira, declarou na quinta-feira, 5 de março, que “não existe essa conversa”. “A Caixa não tem autonomia para discutir esse tema”, afirmou em entrevista à CNN Money.
Em sintonia com Vieira, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, reiterou também, nesta semana, que o órgão não discute o assunto, mas ponderou que a Caixa segue monitorando o desenrolar dos problemas financeiros relacionados ao BRB em função da crise com o Master.
Até o próprio presidente do BRB, Nelson de Souza, vem negando veementemente essa hipótese de federalização. Em reunião com deputados distritais nesta semana, ele também rejeitou que há espaço também para privatização, liquidação ou intervenção do BRB.
Como vem mostrando o NeoFeed, o tema da federalização é assunto proibido até mesmo dentro da alta cúpula do BRB, onde os altos executivos do banco público distrital são categóricos em dizer que não há a menor chance de uma federalização acontecer agora.
Na quarta-feira, 4 de março, após muita pressão da oposição e votos contrários até mesmo de aliados da base governista, a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou projeto de lei encaminhado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), que pede autorização para que o BRB tome um empréstimo de R$ 6,6 bilhões como medida de recuperação de capital.
Para isso, foram dados nove imóveis públicos de Brasília como garantia. Agora, a prioridade será montar um fundo imobiliário com esses ativos.
