Grupo Madero: uma potência gastronômica

Grupo Madero: uma potência gastronômica

O case a seguir faz parte do livro “Paraná | Grandes Marcas — volume II”, publicado pelo Instituto AMANHÃ.

Havia algo mágico naquele sanduíche. Para um menino de nove anos, morador de Prudentópolis, no interior do Paraná, a jornada até Ponta Grossa não era apenas uma viagem de ônibus. Era uma peregrinação. O destino: um modesto X-salada. O ritual: ir, comer e voltar. O que Junior Durski talvez não soubesse naquelas tardes de infância é que estava, sem saber, plantando a semente de um império gastronômico que um dia teria mais de trezentos endereços espalhados pelo Brasil.

Anos mais tarde, já adulto, aquele mesmo menino transformou a paixão em missão. Autodidata, Durski acredita que “a diferença de um chef está muito mais na percepção do paladar do que na literatura ou naquilo que se estudou”. Com essa convicção, embarcou para os Estados Unidos. Nova York, Chicago e São Francisco foram seus laboratórios. Experimentou hambúrgueres em cerca de setenta restaurantes até ter certeza de que havia encontrado o caminho. Voltou ao Brasil com uma visão: o cheeseburger ideal existia e seria feito na churrasqueira. Faltava apenas acertar o blend, a proporção exata entre carne e gordura.

Em 2005, nasceu em Curitiba o primeiro Madero Steak House. O nome escolhido era uma homenagem à ligação da família com o setor madeireiro, mas o que estava sobre a grelha era pura reinvenção. O pão francês redondo e crocante, a carne alta grelhada, o queijo cheddar, a alface americana, os tomates frescos, a cebola grelhada e a maionese artesanal (receita herdada da avó) formavam um conjunto que logo se tornaria o carro-chefe de uma marca que não pararia de crescer. Vinte anos depois, aquele primeiro restaurante se multiplicou em mais de trezentas unidades espalhadas por dezoito estados, em diferentes segmentos, empregando mais de oito mil colaboradores e servindo cerca de quatro milhões de clientes todos os meses.

Das viagens de ônibus para comer um X-Salada à criação de um dos maiores grupos de alimentação do país, a trajetória do Grupo Madero é movida por qualidade e verticalização

O que explica tamanha expansão não é apenas a qualidade do hambúrguer, mas um modelo de negócio construído como um relógio suíço. Enquanto a maioria das redes terceiriza sua produção, o Grupo Madero fez o caminho inverso. Escolheu produzir internamente 96% de tudo o que é servido em seus restaurantes. Para isso, ergueu em Ponta Grossa a Cozinha Central, uma estrutura com capacidade para abastecer até quinhentas unidades. É lá que nascem as carnes selecionadas, os molhos, os pães pré-assados (o segredo para que fiquem crocantes ao servir), as linguiças e os bacons defumados. É também de lá que saem as novas empanadas artesanais — carne, cordeiro, frango e queijo com cebola —, lançadas recentemente e já com ambiciosas metas de produção.

A verticalização, porém, vai além da cozinha. O grupo opera com frota própria, garantindo entregas semanais de produtos secos e resfriados com padrão rigoroso de qualidade. E mantém a gestão dos restaurantes com foco absoluto na experiência do cliente, investindo em tecnologia própria, como totens de autoatendimento e um aplicativo que integra delivery, retirada no balcão, pagamentos e um sistema de cashback para fidelização.

“Funcionário feliz, cliente satisfeito”
Junior Durski não é um chef que comanda do escritório. Ele está no dia a dia, próximo dos colaboradores, atento à operação. Para ele, a excelência entregue nos restaurantes precisa começar dentro da empresa. “É minha obrigação e respeito com clientes e com os colaboradores do Grupo Madero. Acredito que a proximidade e disponibilidade geram confiança. Estar disponível para ouvir clientes e colaboradores reforça a transparência, aproxima as pessoas e, naturalmente, fortalece o negócio”, afirma.

Sua filosofia é resumida em uma frase que repete com frequência: “funcionário feliz, cliente satisfeito!”. Para garantir isso, investe em benefícios, formação e cuidado com o ambiente de trabalho. Em um gesto raro, divulga seu número pessoal no cardápio dos restaurantes e também o compartilha internamente com os oito mil colaboradores.

A estratégia de diversificação que mantém o grupo em expansão
O crescimento do Madero não se deu apenas em número de unidades, mas em formatos e conceitos. Em 2013, surgiu o Madero Burger. No ano seguinte, o Madero Container, desenhado para rodovias, com atendimento ágil. Em 2017, foi a vez do Jeronimo, uma marca mais casual e acessível, batizada em homenagem ao tataravô de Junior Durski, que trazia o smash burger de carne prensada no pão brioche.

Mais recentemente, o grupo deu um passo ousado ao integrar as duas marcas. No final de 2024, alguns restaurantes do segmento Jeronimo passaram a ser híbridos, e outros já nasceram com essa proposta: Madero e Jeronimo no mesmo espaço.

Outro pilar do crescimento do grupo é a filosofia que coloca as pessoas no centro do negócio, incluindo escuta ativa de clientes e funcionários

Outro pilar do crescimento do grupo é a filosofia que coloca as pessoas no centro do negócio, incluindo escuta ativa de clientes e funcionários

O movimento mais recente, porém, aponta para uma nova direção. Em dezembro de 2025, o grupo inaugurou no bairro Cabral, em Curitiba, a primeira unidade do Empório & Empanadas Madero. O conceito é de conveniência premium: um espaço onde o cliente encontra não apenas as novas empanadas artesanais para saborear no local, mas também uma linha exclusiva de produtos desenvolvidos pelo grupo. Pães fermentados, pizzas, molhos, queijos, ketchup, mostarda, uma nova linha de pratos prontos congelados e até itens como sacola térmica, faca e azeite estão à venda. A segunda unidade está prevista para março, no bairro Ecoville, e o plano é expandir o formato para outras cidades brasileiras.

“Nesse momento estamos trabalhando muito nas empanadas artesanais, que estão ficando cada vez melhores. Não tenho dúvidas de que esse é um dos projetos que mais tem me encantado desde que fundamos o Madero, há 20 anos”, explica o chef Junior Durski. A expectativa é de produzir e vender 1,5 milhões de empanadas por mês a partir de 2026. “As empanadas são muito saborosas e saudáveis, assadas em forno com alta temperatura, sem conservantes, corantes e óleos vegetais. Só ingredientes de qualidade”, reforça o chef.

Paralelamente, o grupo avança no segmento de delivery com as dark kitchens. Já são mais de noventa unidades operando com foco exclusivo em entregas, e a meta é chegar a cerca de cem até o final do ano. A primeira dark kitchen single unit será instalada no novo Empório & Empanadas Madero, no Ecoville, como projeto-piloto para expansão nacional.

A diversificação, no entanto, não significa abrir mão da essência. Todos os alimentos continuam sendo produzidos com baixo teor de gordura e sódio. Os hortifrúti e temperos são orgânicos, sem agrotóxicos. As carnes são selecionadas. O pão continua crocante, assado na hora. A maionese ainda segue a receita da avó. O que muda é o formato de chegar até o cliente, cada vez mais adaptado aos novos hábitos de consumo.





Fonte: Amanhã

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