O juiz distrital dos EUA Alvin Hellerstein prometeu emitir uma decisão em breve sobre se ele ordenará ao governo Trump que permita que o país sul-americano cubra as despesas legais incorridas por Maduro e sua esposa, que também é ré no caso.
Maduro, de 63 anos, e sua mulher, Cilia Flores, 69, estão detidos no Brooklyn há quase três meses e só saíram da prisão antes para a primeira audiência, em que o chavista se declarou “prisioneiro de guerra” e afirmou ser inocente das acusações de tráfico de drogas.
O casal chegou para a audiência por volta das 12h30 (horário de Brasília). Maduro e Cilia permaneceram sentados e usando fones de ouvido, acompanhando a tradução simultânea, enquanto defesa e promotoria discutiam como custear suas despesas legais. O juiz Alvin Hellerstein é o responsável pelo caso.
O governo venezuelano arcar com as despesas, mas isso requer autorização do governo americano, o que o advogado de Maduro, Barry Pollack, argumenta que fere os direitos constitucionais de seu cliente à defesa legal. O juiz disse que ainda irá tomar uma decisão, mas que não irá arquivar o caso por uma disputa de honorários advocatícios.
A dúvida sobre os honorários e a representação legal de Maduro é um problema desde o início do caso. Ele tinha um advogado nomeado pelo tribunal, que foi trocado por Pollack. Bruce Fein se juntou ao caso, afirmando ter informações de pessoas próximas a Maduro, mas foi afastado após protesto de Pollack.
A defesa de Maduro e de Cilia pediu a Hellerstein que adiasse o processo criminal devido à decisão da administração Trump de não permitir que Caracas pagasse seus honorários advocatícios, o que, segundo eles, violou efetivamente o direito dos dois réus à assistência jurídica no caso.
Enquanto o venezuelano estava no tribunal, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Maduro enfrentará outras acusações judiciais posteriormente.
“Ele foi processado por apenas uma fração das coisas que fez. Outras acusações serão apresentadas, como vocês provavelmente sabem”, disse ele a repórteres antes de uma reunião de gabinete na Casa Branca.
A Venezuela solicitou às Nações Unidas a libertação “imediata” de Maduro, que foi capturado em uma incursão dos EUA em 3 de janeiro, que incluiu bombardeios.
Por outro lado, em 6 de janeiro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos recuou de uma afirmação que o governo de Trump promoveu ao preparar o terreno para removê-lo do poder na Venezuela: a acusação de que ele liderava o cartel de drogas chamado Cartel de los Soles.
A acusação foi redigida pelo Departamento de Justiça em 2020. Em julho de 2025, copiando a linguagem dela, o Departamento do Tesouro classificou o Cartel de los Soles de organização terrorista.
Grupos de manifestantes, tanto a favor quanto contra Nicolás Maduro, se reuniram em frente ao tribunal federal em Manhattan. Alguns deles carregavam cartazes com os dizeres “Libertem Maduro” e “Tirem as mãos da Venezuela”.
Maduro governou a Venezuela a partir de março de 2013 até sua queda, quando Delcy Rodríguez, sua vice, assumiu a presidência interina e começou a mudar as relações com os Estados Unidos. Ele é acusado de diferentes crimes, incluindo narcoterrorismo e posse ilegal de armas.
Ele está preso no Centro Metropolitano de Detenção, no Brooklyn, uma penitenciária com controles rigorosos, onde permanece sozinho e sem acesso à internet ou jornais.
Segundo meios estrangeiros, relatos indicam que ele passa o tempo lendo a Bíblia e se comunica brevemente com sua família e advogados. Seu filho, o deputado nacional Nicolás Maduro Guerra, afirmou que ele e Flores estão “bem, fortes e otimistas”.
Um dia antes da audiência, Maduro Guerra disse que seu pai é “um homem de fé, um trabalhador que se reconhece como filho de Deus”.
No país latino, com a queda de Maduro e sob pressão dos Estados Unidos, Delcy enfrenta dificuldades em liderar a Venezuela, que possui grandes reservas de petróleo, mas uma economia em crise.
A líder interina recentemente aprovou uma lei de anistia e reformou leis para garantir acesso aos recursos naturais do país. Neste mês, os Estados Unidos restabeleceram laços diplomáticos com a Venezuela.
