Na corrida tecnológica contra os EUA, a China atualiza seu “arsenal”

Na corrida tecnológica contra os EUA, a China atualiza seu “arsenal”

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A disputa tecnológica entre China e EUA se intensificou com a apresentação de robôs humanoides da Unitree Robotics no Festival da Primavera, um evento de grande audiência na China. Os robôs demonstraram habilidades em artes marciais e movimentos complexos, simbolizando o avanço da robótica humanoide no país. Outras empresas também participaram, destacando o crescimento do setor.

Paralelamente, a ByteDance lançou o Seedance 2.0, uma ferramenta de IA que gera vídeos ultrarrealistas, desafiando Hollywood e levantando preocupações sobre direitos autorais. A Disney e a Paramount expressaram receios sobre o uso de personagens protegidos. A ByteDance, com acesso a vastas bases de dados e um ecossistema que adota rapidamente inovações, está se consolidando como uma potência em IA, mostrando que a China não apenas persegue, mas também lidera em áreas estratégicas.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A disputa tecnológica entre China e Estados Unidos, antes concentrada em semicondutores e algoritmos, ganhou um novo front visível e altamente simbólico: o palco do Festival da Primavera, o programa mais assistido da China e comparado ao Super Bowl em audiência e impacto cultural.

No Festival da Primavera, assistido por centenas de milhões de pessoas, o país colocou robôs humanoides dançando, duelando e se equilibrando com uma precisão que parecia até provocação geopolítica.

A protagonista desse espetáculo foi a Unitree Robotics, que já havia viralizado no ano anterior com sua performance de dança Yangge e voltou agora com demonstrações ainda mais sofisticadas.

Seus humanoides executaram artes marciais com precisão, coordenando movimentos complexos — de espadas a sequências inspiradas no tradicional “boxe bêbado” — e até recuperando o equilíbrio após quedas, algo considerado um marco técnico no setor.

Outras empresas como MagicLab, Galbot e Noetix também dividiram o palco, reforçando a sensação de que a robótica humanoide deixou de ser um experimento de laboratório e passou a ser uma vitrine de soft power tecnológico. O timing também não é casual: Unitree e AgiBot preparam suas ofertas públicas iniciais para este ano, em meio a uma onda de investimentos domésticos em robótica.

Mas a encenação de poder chinês não parou no palco. Fora dele, outra demonstração — mais silenciosa, mais sofisticada e potencialmente tão disruptiva quanto os robôs da Unitree — veio da ByteDance, que apresentou o Seedance 2.0, sua ferramenta de geração de vídeo por IA.

Nos Estados Unidos, duas empresas correm para se equiparar aos humanoides chineses. Uma delas é a Tesla, de Elon Musk. A outra é a Boston Dynamics, uma das pioneiras do setor.

A Tesla tenta transformar o Optimus em um produto escalável, com Elon Musk prometendo milhares de unidades ainda nesta década. E a Boston Dynamics, um ícone técnico do setor com o Atlas, embora ainda distante de um modelo de produção em massa.

Em entrevista ao NeoFeed, em novembro do ano passado, o fundador da Boston Dynamics, Marc Raibert, disse que a tecnologia tem impulsionado principalmente a parte cognitiva dos robôs, mas ainda faltavam avanços significativos em mecânica e segurança.

“Seria otimismo demais esperar que eles sejam muito funcionais em dois ou três anos. Mas, em 10 anos, acho que haverá uma grande revolução. Esses robôs serão muito capazes”, disse Raibert.

A apresentação dos humanoides Unitree impressiona justamente por conta da questão mecânica, mostrando movimentos que são difíceis para os humanos e que parecem naturais para as máquinas.

IA ultrarrealista

Se o show da Unitree exibiu a musculatura da China em robótica, a ByteDance reforçou a velocidade com que o país está convertendo dados, modelos de consumo e escala computacional em produtos de IA que começam a rivalizar, e em alguns casos superar, os equivalentes ocidentais.

A companhia mostrou o Seedance 2.0, que produz vídeos altamente realistas, com fluidez e textura difíceis de distinguir de filmagens reais. A nova ferramenta opera com até 12 referências multimodais — de imagens e áudio a vídeos curtos — permitindo que o usuário defina ângulos, ritmos e estética como se estivesse comandando um set de gravação.

Um dos recursos é o “multi-lens storytelling”, que transforma um único prompt em várias cenas interligadas, mantendo consistência de personagens, luz e atmosfera.

Hollywood teme o impacto da ferramenta não só sobre o mercado profissional, mas sobre o já delicado debate global sobre deep fakes. E o temor tem fundamento: os vídeos gerados pelo novo modelo confundem até especialistas em efeitos visuais.

A Disney, por exemplo, acusou a ByteDance de que sua nova plataforma conta “com uma biblioteca pirata” de personagens protegidos por direitos autorais da Disney. A Paramount disse que o modelo de IA produziu “representações vívidas das franquias e personagens famosos e icônicos da Paramount”.

A ByteDance, em nota, informou que “respeita os direitos de propriedade intelectual e ouvimos as preocupações em relação ao Seedance 2.0”. E acrescentou: “Estamos tomando medidas para fortalecer as salvaguardas atuais enquanto trabalhamos para prevenir o uso não autorizado de propriedade intelectual e imagem por parte dos usuários”.

O desempenho do Seedance 2.0, no entanto, força um padrão que tem se tornado frequente. Sua versão anterior, o Seedance 1.0, já superava o Google Veo em benchmarks de texto‑para‑vídeo e imagem‑para‑vídeo.

A ByteDance, cuja presença global costuma ser reduzida ao TikTok, vem se transformando em uma potência de IA graças a dois fatores que poucas empresas no mundo conseguem replicar: acesso privilegiado a uma das maiores bases de dados de vídeo do planeta e um ecossistema doméstico que adota rápido tudo o que é lançado, fornecendo métricas massivas de uso real.

A China não está mais apenas perseguindo a liderança americana: está ditando o ritmo em áreas estratégicas — da robótica humanoide aos modelos generativos. A dança dos robôs da Unitree e o avanço do Seedance 2.0 são cenas distintas, mas pertencem ao mesmo roteiro.



Fonte: NeoFeed

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