Nem Freud explica: exposição sobre Carl Jung atrai número recorde de visitantes

Nem Freud explica: exposição sobre Carl Jung atrai número recorde de visitantes

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A exposição A alma humana, você e o universo de Jung no Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo atraiu 67 mil visitantes em menos de três meses, destacando-se entre as mostras do museu. Focada no psiquiatra Carl Jung, a mostra contrasta com exposições anteriores sobre ícones da cultura pop, apresentando uma visão sensorial e humana que mistura arte, ciência e emoções.

Inaugurada em novembro para celebrar os 150 anos de Jung, a exposição ocupa 550 metros quadrados e foi idealizada por Luciana Branco, que buscou traduzir a psicologia junguiana para o público. Apesar da dificuldade em obter patrocínio, a mostra atraiu um público diversificado, com ingressos a R$30 e gratuidade às terças.

A exposição provoca reflexões sobre autoconhecimento e critica a automedicação, convidando os visitantes a confrontar suas angústias em um mundo repleto de distrações. A mostra ficará no MIS até 1 de março e está prevista para itinerar pelo Brasil e pelo mundo.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Ao atrair um público de 67 mil pessoas em pouco menos de três meses, a mostra A alma humana, você e o universo de Jung já se consagra como uma das mais bem-sucedidas do Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo.

Diferentemente das anteriores, que apresentaram figuras incontestes da cultura pop como John Lennon, David Bowie, Tina Turner, Raul Seixas e Rita Lee, esta versão é sobre um pensador complexo e polêmico: o psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Jung, fundador da psicologia analítica.

Como explicar, então, essa curiosidade por um médico que se interessava por alquimia, mandalas e religiões orientais numa época de medicalização crescente dos problemas psicológicos?

“Vivemos num mundo de muitos diagnósticos, de muitos protocolos, de muitos remédios, com uma grande influência da cultura e da psiquiatria norte-americanas”, diz ao NeoFeed Arthur Guerra, coordenador do Núcleo de Psiquiatria do Hospital Sírio Libanês, que considera que a exposição vem dar um contraponto a isso.

De acordo com ele, a exposição vem mostrar que não é só isso. “Nos apresenta uma visão humana de uma forma sensorial, que mexe com as pessoas ao misturar arte, um pouco de ciência e emoções. Ao mesmo tempo, busca trazer para o grande público conceitos que não são muito comuns, como arquétipos e inconsciente coletivo.”

A exposição foi inaugurada em novembro do ano passado para celebrar os 150 anos do nascimento do psiquiatra, que tem uma corrente de seguidores e de críticos mundo afora. Vale lembrar que Jung e Freud, o pai da psicanálise, tiveram um relacionamento muito próximo, depois conturbado, e que romperam definitivamente por profundas divergências teóricas sobre a maneira de ver o indivíduo, a sexualidade, a religião e o inconsciente.

A mostra ocupa uma área de 550 metros quadrados, se divide em vários ambientes e andares e tem o respaldo do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa. A idealizadora é Luciana Branco, diretora de criação e analista junguiana, que se lançou ao conhecimento de sua obra num processo individual de autodescoberta.

Quando Luciana levou o projeto ao diretor do MIS, André Sturm, ele disse que ficou entusiasmado com a ideia de apresentar um personagem relevante que não era uma personalidade da música, do cinema ou da televisão, como as exposições que costuma fazer.

“Seria a primeira vez que a gente faria algo no padrão MIS com um pensador e psicólogo famoso, mas de outra área. Que não foi ator, nem cineasta, nem músico ou cantor”, conta, em entrevista ao NeoFeed. “A partir daí, começamos a pensar. Tinha a vantagem de o Jung ter falado de sonhos, de mandalas, que são elementos muito visuais. Foi um grande desafio e fico muito feliz que a exposição tenha conseguido falar com tanta gente.”

No início, parte da afluência foi de profissionais que estudam ou trabalham na área, mas rapidamente chegou ao grande público. O que mais surpreendeu Luciana foi a dificuldade em obter patrocínio.

“Fico me perguntando por que isso aconteceu, apesar de a indústria do bem-estar e da saúde mental ser milionária. Acho que é porque o caminho do autoconhecimento é menos sexy, solitário e menos gostoso de ser percorrido. Mas é um caminho essencial para a saúde integral.”

Um dos destaques da mostra, o neon traz a visão de Jung sobre a ambivalência do divino (Foto: Divulgação)

Com 1.260 máscaras de gesso produzidas por professores e alunos do Instituto Jungiano de Ensino e Pesquisa, a mostra passa pelo conceito de “Persona” (Foto: Divulgação)

“O visitante não encontra uma biografia do Jung, mas um convite ao autoconhecimento”, diz a analista jungiana Luciana Branco, idealizadora da exposição (Foto: Arquivo pessoal)

Depois, o mais difícil, segundo ela, foi traduzir a psicologia e o pensamento de Jung para a vida real, não para algo para colocar na biblioteca. “A exposição tem uma dimensão pedagógica e sensorial.”

Além disso, há obras de artistas contemporâneos que conversam com a expografia e outras encomendadas especialmente para o evento. “O visitante não encontra uma biografia do Jung, mas um convite ao autoconhecimento.”

Durante o percurso, se destaca um neon feito pela equipe de criação: “Deus é bom e mau o tempo todo”. Há ainda diversas perguntas. A primeira e mais fotografada pelo público é: “Do que tanto você tenta fugir quando se distrai?”. Ou: “Diante de um sintoma, o que você faz?”. E aí entra uma crítica à automedicação excessiva.

No fim, tudo acaba como um convite à reflexão, seja para aqueles que sentem atração pelo pensamento do psiquiatra suíço ou para aqueles que se afastam dele.



NeoFeed

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