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O GPA anunciou Pedro Albuquerque como seu novo CFO em meio a uma reestruturação significativa, após um período turbulento marcado por mudanças na gestão e prejuízos financeiros. Albuquerque, com mais de 10 anos de experiência na Kraft Heinz, assume o cargo anteriormente ocupado por Rafael Russowsky, que atuou interinamente após a saída de Marcelo Pimentel.
A crise no GPA se intensificou com a renúncia de Pimentel em 2025, levando à contratação da consultoria Alvarez & Marsal para implementar um plano de eficiência que prevê cortes de R$ 700 milhões. O conselho de administração também passou por mudanças, com a eleição de novos membros que refletem a disputa por influência entre acionistas. O GPA mostrou sinais de recuperação em 2025, reduzindo prejuízos e voltando ao lucro no terceiro trimestre, embora ainda enfrente forte concorrência no varejo alimentar.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O GPA, dono das redes de supermercados Pão de Açúcar e Extra, anunciou, em fato relevante, nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, Pedro Vieira Lima de Albuquerque como seu novo CFO.
O movimento ocorre em meio a um processo de mudanças no Grupo Pão de Açúcar, que atravessa um dos períodos mais turbulentos de sua história recente, marcado por mudanças na gestão, reestruturação operacional e rearranjos relevantes em sua governança – há um mês, o GPA anunciou novo CEO, Alexandre de Jesus Santoro.
A chegada de Pedro Albuquerque ao GPA reforça o objetivo do grupo de buscar nomes experientes do mercado para lidar com a crise. Albuquerque trabalhou por mais de 10 anos na Kraft Heinz, como CFO para Ásia e Pacífico, presidente da operação do Sudeste Asiático, Planejamento Global e, posteriormente, CFO da América do Norte.
Entre 2009 e 2014, atuou na América Latina Logística (atual Rumo Logística), liderando as áreas de Tesouraria, Planejamento Financeiro, Novos Negócios e Relação com Investidores. Também integrou conselhos de subsidiárias dessas companhias, além de ter sido conselheiro da Lucta Flavors and Fragrances.
Ele vai assumir o cargo que era ocupado por Rafael Sirotsky Russowsky, que chegou a exercer a presidência interina do GPA após a saída de Marcelo Pimentel em 2025. Russowsky também é diretor de relações com investidores.
A crise no GPA ganhou contornos mais nítidos com a renúncia de Marcelo Pimentel, em outubro de 2025, após atritos internos e pressões decorrentes do fraco desempenho financeiro da companhia, abrindo caminho para uma fase de transição conduzida interinamente por Russowsky.
A saída de Pimentel no ano passado, por sinal, simbolizou o fim de um ciclo e expôs a urgência de ajustes estruturais, em um momento em que o grupo varejista buscava recuperar competitividade e recompor margens pressionadas. Em meio a esse cenário, o GPA contratou a consultoria americana Alvarez & Marsal, especializada em reestruturações corporativas, para apoiar a execução de um plano de eficiência iniciado em novembro do ano anterior.
O programa prevê cortes superiores a R$ 700 milhões em despesas, com foco em simplificação organizacional, revisão de contratos, otimização logística e racionalização do portfólio de lojas, refletindo a necessidade de respostas rápidas a um ambiente operacional adverso.
Paralelamente, a governança do grupo passou por recomposição significativa. Em janeiro, foram eleitos para o conselho de administração Carlos Augusto Reis de Athayde Fernandes e Eleazar de Carvalho Filho, dois nomes que reforçam a disputa por influência no comando da varejista.
Fernandes é ligado à holding de Silvio Tini, investidor que ampliou sua participação no GPA até atingir 10% do capital no fim de 2025, movimento que alterou o equilíbrio entre os acionistas relevantes e elevou a pressão por mudanças estratégicas. Já Carvalho Filho é reconhecido por sua proximidade histórica com o grupo francês Casino, antigo controlador do GPA, representando uma corrente mais alinhada à gestão tradicional da companhia.
A chegada desses conselheiros ocorre em um momento em que a família Coelho Diniz já havia se consolidado como maior acionista, redesenhando o mapa de poder interno.
O conselho encerrou a fase de interinidade no mês passado ao eleger Santoro como novo CEO, executivo com experiência em operações de alimentação e redes de serviços, responsável por conduzir a empresa em um ambiente de forte competição e necessidade de disciplina de capital.
Sua nomeação simboliza o esforço de estabilização após meses de incertezas, ao mesmo tempo em que o GPA tenta equilibrar interesses de acionistas com visões distintas sobre o futuro da companhia.
Recuperação gradual
O GPA encerrou 2025 mostrando sinais de recuperação gradual, embora ainda operando sob forte pressão competitiva no varejo alimentar.
No segundo trimestre de 2025, a companhia reduziu o prejuízo líquido para R$ 216 milhões, queda de 35% na comparação anual, impulsionada por melhor desempenho operacional e pelo efeito sazonal da Páscoa, que elevou o volume de vendas no período.
Já no terceiro trimestre, o GPA voltou ao lucro, com R$ 137 milhões, embora o Ebitda tenha ficado abaixo das expectativas e a receita tenha crescido apenas 1,4%, sinalizando demanda ainda fraca e ambiente promocional mais intenso.
O GPA encerrou 2025 com uma dívida líquida em torno de R$ 3,7 bilhões, segundo os dados financeiros mais recentes divulgados pela companhia. O perfil da dívida é majoritariamente de curto prazo, o que aumenta a pressão por renegociação e eficiência operacional.
Mesmo assim, o grupo registrou crescimento de 4,1% em vendas nas lojas e manteve liderança no e-commerce alimentar. No contexto de mercado, o GPA segue atrás de concorrentes como Carrefour e Assaí em escala e rentabilidade, mas tenta preservar relevância no segmento premium e de proximidade, áreas onde ainda detém participação expressiva e marca forte, especialmente no Sudeste.
