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O estudo “Brazil Tech Diaspora in The USA”, realizado pela Endeavor Brasil, revela que a presença de empreendedores brasileiros na área de tecnologia nos EUA está crescendo, com mais de 140 deles vivendo no país – 200, considerando nessa conta investidores e executivos.
A pesquisa destaca que a inteligência artificial (IA) é um fator crucial para essa migração, pois facilita o empreendedorismo, tornando-o mais rápido e acessível.
Nesse contexto, alguns dados reforçam o papel dos EUA como principal polo de atração. Em 2025, por exemplo, 79% do financiamento global em IA foi destinado a empresas com sede no país, com a Califórnia recebendo mais de 75% desses recursos.
Quase metade dos empreendedores brasileiros nos EUA está focada em negócios de IA, com 39,5% das empresas localizadas justamente na Califórnia. Setores como saúde e fintech também estão em ascensão, com exemplos de startups brasileiras bem-sucedidas.
Apesar do acesso desigual ao capital, a Endeavor acredita que essa diáspora pode beneficiar o ecossistema brasileiro, permitindo que empreendedores retornem com novas experiências e conhecimentos.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Não é de hoje que os Estados Unidos atraem empreendedores, investidores e executivos de tecnologia de outros pontos do globo dispostos a fixar residência no país e a respirar os ares do principal polo mundial de inovação. E, nesse mapa, a presença dos brasileiros vem ganhando cada vez mais fôlego.
Essa é uma das conclusões do Brazil Tech Diaspora in The USA, estudo inédito realizado pela Endeavor Brasil. Antecipado com exclusividade ao NeoFeed, o levantamento identificou 200 brasileiros – dos quais, mais de 140 empreendedores – morando atualmente em solo americano com essa finalidade.
Ao compilar uma série de dados públicos, a pesquisa também estabeleceu uma conexão com um dos principais fatores que têm feito os brasileiros carimbarem o passaporte para se aventurar no ecossistema americano de tecnologia: o boom da inteligência artificial (IA).
“A dinâmica da IA possibilita ser mais rápido, mais leve em número de pessoas e mais barato na hora de empreender e crescer”, diz Maria Teresa Fornea, diretora-geral da Endeavor Brasil, ao NeoFeed. “E isso estimula o desejo de começar um negócio global. Ficou mais fácil jogar.”
A decisão de centrar o estudo nos Estados Unidos veio com a constatação de que, com a IA, o capital de risco voltou a se concentrar no país, após um período no qual esses recursos começaram a ser direcionados também a outros polos, como a China.
Na tradução desse movimento em cifras, 79% dos US$ 159 bilhões em financiamento global para empresas de IA em 2025 foram destinados a companhias sediadas nos EUA, segundo o portal Crunchbase. Desse total, mais de 75% foram aplicados na Califórnia.
“Em termos de potência, os principais destinos seriam EUA e China”, diz Fornea. “Mas, na China, não existe o mesmo nível de investimento em empreendedorismo. É outra dinâmica. Então, as pessoas querem estar nos EUA e eu sinto que esse movimento vai ser mais presente do que em ciclos passados.”
Para ela, um dos números que reforçam os EUA como o principal centro de atração de empreendedores de outras geografias é o dado de que 60% das principais empresas de IA sediadas no país têm ao menos um fundador imigrante.
Nesse cenário, o levantamento da Endeavor mostra que a presença da IA também é marcante nos projetos desses brasileiros nos EUA. De acordo com o estudo, 49% desses empreendedores estão desenvolvendo negócios com essa tecnologia no core business.
Da mesma forma, a distribuição desses empreendedores está bastante alinhada com essa corrida da IA, que tem reforçado a relevância de um polo de inovação nos EUA, a Califórnia, que é a sede de 39,5% das empresas tocadas por brasileiros – das companhias que têm IA no core, 45,8% estão na região.
Já em Nova York, sede americana de empresas brasileiras mais consolidadas, como a VTEX e a Wellhub, há, inclusive, um unicórnio: a YipitData, de pesquisa de mercado e análises de dados, que tem o brasileiro Vinicius Vacanti como cofundador e já atraiu quase US$ 400 milhões em investimentos.
Os exemplos não estão restritos a essas regiões. Fundada em 2019, pelo brasileiro Igor Marinelli e o americano Jim Moran, a Tractian, que usa IA para monitorar equipamentos industriais, está sediada em Atlanta, na Georgia, e já captou mais de US$ 180 milhões com fundos como General Catalyst e DGF.
Ao mesmo tempo, setores como saúde e biotech, ambos com uma participação de 8,1% nos empreendimentos tocados por brasileiros, também começam a ganhar destaque. Um dos nomes que têm contribuído para essa evolução é a OneSkin.
Fundada em 2016 por Carolina Reis de Oliveira, Alessandra Zonari, Juliana Carvalho e Mariana Boroni, e sediada em São Francisco, a startup de biotecnologia já levantou mais de US$ 46 milhões com investidores como a Prelude Growth Partners e Selva Ventures.
Tempero brasileiro
Nesse intercâmbio, também há espaço para o tempero brasileiro. Esses negócios se concentram prioritariamente em segmentos nos quais o País se destaca e tem mais vocação, como os softwares e serviços empresariais, com uma fatia de 48,1%, e os softwares e serviços financeiros, com 18,5%.
Um dos exemplos é a fintech SellersFi, fundada em 2017 por Ricardo Pero, Alessandro Novaes e Fabio Knijnik, que, entre equity e dívida, já captou mais de US$ 400 milhões com nomes como Citi e MUFG Innovation Partners.
“A indústria de fintech e a infraestrutura bancária no Brasil é muito mais avançada”, diz Fornea. “E há exemplos como a Blip e outras empresas brasileiras que estão trabalhando com a Meta e as telcos americanas para trazer integrações, por exemplo, com o WhatsApp, que ainda não existem nos EUA.”
Apesar desses avanços, o estudo aponta que o acesso a capital ainda é desigual ao longo dos estágios de captação de investimentos por essas empresas. Os recursos estão mais concentrados no early stage, com 32,9% das captações em pré-seed e 24,2% em aportes Série A.
“Essa continuidade em outros estágios precisa evoluir mais”, afirma Fornea. “Mas quem está fazendo as coisas acontecerem não tem dor de capital. E, de qualquer forma, o acesso a recursos é bizarramente diferente na comparação com outros mercados.”
Fornea ressalta ainda um outro ponto de atenção em meio a essa diáspora: a preocupação de que esse movimento se restrinja ao mercado americano e não traga reflexos positivos para esse ecossistema no Brasil. Ela aponta, porém, um fator favorável nesse contexto.
“Esse movimento de uma escala mais global é menos preso a mercados. Então, esses empreendedores podem voltar ao Brasil”, diz. “Queremos fazer essa ponte para que as empresas no Brasil tenham um parâmetro alto e não uma régua deslocada do que está acontecendo no mundo, especialmente em IA.”
Fonte: NeoFeed
