Os conselhos de Mansueto Almeida ao próximo ministro da Fazenda para os primeiros 100 dias de governo

Os conselhos de Mansueto Almeida ao próximo ministro da Fazenda para os primeiros 100 dias de governo

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Durante a Brazil Conference 2026, Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, ofereceu conselhos ao próximo ministro da Fazenda. Ele sugeriu revisar a política de correção do salário mínimo, argumentando que, com o pleno emprego, um aumento menor poderia ser viável, evitando impactos negativos nas contas públicas.

Almeida também recomendou reavaliar os critérios de programas sociais, como o Bolsa Família, para garantir que os recursos cheguem a quem realmente precisa, propondo um público-alvo mais restrito e um custo anual menor.

Além disso, ele destacou a necessidade de reduzir regimes especiais de tributação, citando distorções no sistema atual, como a dedução integral de gastos com saúde. Almeida enfatizou que o mercado espera um controle da dívida pública ao longo de 4 a 5 anos, sem cortes drásticos imediatos nos gastos.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Boston (EUA) – Como já é tradição em todas as edições do evento, a Brazil Conference 2026, realizada em Boston e Cambridge, tem sido palco de uma série de conselhos dados pelos palestrantes ao público, formado, em sua imensa maioria, por estudantes brasileiros das principais universidades americanas.

Esse também foi o tom adotado por Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, na abertura da programação deste domingo, 29 de março, na Harvard University. Com uma diferença: o destinatário dos seus aconselhamentos.

Durante sua palestra, o ex-secretário do Tesouro Nacional foi questionado sobre quais conselhos daria ao próximo ministro da Fazenda, um cargo para o qual seu nome tem citado com cada vez mais frequência, nos cem primeiros dias do novo governo que assumirá o País após as eleições de 2026.

“Primeiro, quem quer que seja eleito presidente do Brasil, vamos ter que ajudar”, afirmou Almeida. “Num segundo ponto, e sei que isso é muito impopular e chato, eu mexeria na política da correção do salário mínimo”.

Na sequência ele observou que o Brasil vai encerrar o ciclo de quatro anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com um aumento do salário mínimo na casa de 14% a 15%. E dentro de um contexto atual de pleno emprego no País.

“A própria dinâmica do mercado de trabalho puxa o salário para cima. Nesse cenário, talvez fosse possível ter uma política de correção muito menor”, disse. “Se vai ser 0,5%, 1% ou menos, é um debate político. Mas não dá pra ficar com 2,5%, 3% todos os anos, porque o impacto nas contas públicas é muito grande.”

Em um segundo ponto, Mansueto “sugeriu” a quem assumir a pasta a partir do ano que vem a rever os critérios de alguns programas sociais, a partir do questionamento se aquela determinada política pública está chegando a quem efetivamente precisa dela. Ou se há distorções nessa frente.

“O Brasil precisa de políticas sociais. A discussão não é essa. Mas, sim, qual deve ser o público e o valor gasto”, afirmou, citando o exemplo do Bolsa Família que, de 2003 a 2019, chegava a 14 milhões de famílias a custo anual que nunca superava R$ 40 bilhões.

“Hoje, ele alcança 20 milhões de famílias a custo anual de R$ 160 bilhões”, destacou. “Não seria melhor cobrir um público de 16 a 18 milhões de famílias a um custo anual de R$ 140 bilhões? E, dado que houve um crescimento tão grande, será que precisaríamos do aumento real do salário mínimo?”.

Nesse pacote, um terceiro conselho envolveu o investimento e o avanço em uma agenda de redução de regimes especiais de tributação. E, nessa ponta, Almeida citou diversos exemplos que, em sua visão, não encontram justificativas no contexto brasileiro.

“Nenhum país que têm um sistema público universal de saúde permite às famílias abaterem integralmente 100% dos seus gastos com saúde da renda tributada”, ressaltou. “No Brasil, é permitido, o que não faz o mínimo sentido.”

Em mais uma comparação, ele frisou que, diferentemente de outros mercados, no Brasil, as políticas de estímulo para pequenas empresas são baseadas em um conceito muito elástico desse perfil de companhia, o que também cria distorções nessa ponta.

“Então, há muita coisa que precisa mudar do lado da arrecadação, mas é necessário controlar o crescimento da despesa”, disse. Ele acrescentou dizendo que o que o mercado espera, quem quer que seja o governo, não é que o Brasil vá fazer um ajuste e estabilizar a dívida pública em um ou dois anos.

“Nenhum governo vai cortar R$ 50 bilhões, R$ 100 bilhões, R$ 200 bilhões de gastos de um ano para o outro”, afirmou. “O que o mercado quer é pelo menos ter a certeza que consiga ver em 4 anos, 5 anos, que a dívida pare de crescer e, eventualmente, entre em trajetória de queda.”



Fonte: NeoFeed

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