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No terceiro dia do Mobile World Congress (MWC) em Barcelona, a sul-coreana Samsung se surpreendeu com a alta demanda pela linha S26 no Brasil, onde 80% das vendas foram do modelo Ultra, superando as expectativas.
O vice-presidente da Samsung na América Latina, Antonio Quintas, atribuiu isso à durabilidade e funcionalidades dos aparelhos, destacando a tela de privacidade como um atrativo. A produção do S26 ocorrerá em Campinas e Manaus, mas a decisão de produção local depende da demanda e da barreira tributária.
Além disso, a participação de executivos chineses no evento foi afetada por tensões geopolíticas, como a guerra no Irã, resultando na ausência de cerca de 10 mil chineses. A razão foi o fechamento do aeroporto de Dubai.
Um estudo da EY, lançado no MWC, revelou que 81% das empresas veem as disputas tarifárias como um obstáculo para investimentos em inteligência artificial, levando a uma maior cautela nas contratações de serviços, especialmente em um cenário de conflitos internacionais.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Barcelona – No terceiro dia do Mobile World Congress (MWC), o foco segue nos principais lançamentos de eletrônicos das grandes companhias globais do setor, enquanto diminui o volume de painéis com os grandes nomes da indústria de tecnologia no evento.
No caso da sul-coreana Samsung, a maior procura no estande da empresa é por explicações sobre os modelos da linha S26, que teve o lançamento global, incluindo o Brasil, em 25 de fevereiro.
E, apesar do pouco tempo em que os aparelhos entraram na pré-venda, a companhia já está surpresa – positivamente – com o mercado brasileiro. Em cinco dias, de todos os celulares da nova linha vendidos no país, 80% foram do modelo Ultra, o mais caro (que não sai por menos de R$ 10 mil). Muito além do que a Samsung esperava.
Valor na privacidade
A expectativa era que o modelo top representasse até 70% do total das vendas no Brasil. Mas passou de 80%. Ao NeoFeed, o vice-presidente sênior para a América Latina da Samsung, Antonio Quintas, explicou as razões desta surpresa.
“Os aparelhos estão durando mais e trazendo mais funcionalidades. O consumidor está vendo mais valor em comprar um produto de gama alta, porque ele enxerga mais valor de retorno”, afirmou.
A tela de privacidade, segundo ele, foi o principal chamariz. Isso, claro, além do saldo bancário para garantir o modelo.
Carnê garantido
No caso do Brasil, o S26 será produzido nas fábricas de Campinas (SP) e Manaus (AM). De qualquer forma, a barreira tributária – um componente forte no Brasil – é um ponto fundamental para decidir quais produtos serão vendidos no país. Isso, claro, além do interesse do consumidor.
“O que guia nossa decisão é a demanda e o volume que justifiquem a produção local ou importação. Por exemplo, na categoria dobrável, a gente ainda não identificou demanda suficiente na América Latina de produtos mais sofisticados desta linha. E faixa de preço tem a ver”, disse Quintas.
O VP da Samsung afirmou que, apesar do alto custo do novo aparelho, a empresa está oferecendo um valor mais alto na compra do usado e ainda ampliando as condições de financiamento.
Caminho fechado
Se o tema da guerra dos Estados Unidos e Irã não foi discutido diretamente entre os principais executivos das empresas de tecnologia em Barcelona, o fato é que a operação militar determinada pelo presidente americano Donald Trump afetou diretamente uma parte relevante do público que tinha como destino o MWC.
A participação de chineses no evento, principalmente no enorme estande da Huawei, é muito expressiva em Barcelona. Só que poderia ser muito maior. O que muitos executivos estavam dizendo nos corredores do evento é que muitos asiáticos deixaram de cruzar o continente para chegar à Espanha. E tinha a ver diretamente com a ação de Trump.
Fica em casa
Justamente no momento que muitos chineses começavam a sair do país em direção ao MWC, o aeroporto de Dubai, rota de escala quase que obrigatória para boa parte dos voos da região, foi alvo de ataques iranianos, na madrugada de sábado para domingo.
O resultado é que, segundo líderes que tinham informação sobre a delegação asiática, pelo menos 10 mil chineses deixaram de viajar para a Espanha. Uma perda para o evento, e para a própria economia de Barcelona.
Tarifaço versus IA
Outro tipo de guerra, a comercial (e que também tem Trump no centro) é um dos temas principais de preocupações entre empresas que participam de um estudo global divulgado na quarta-feira, 4 de março, pela consultoria inglesa EY, no estande da empresa no MWC.
O levantamento, que ouviu 1.590 empresas de 25 países, incluindo o Brasil, entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, mostrou que temas como o tarifaço geram mais preocupações na hora de decidir sobre os investimentos em inteligência artificial (IA). Na pesquisa, 81% disseram ver nas disputas tarifárias uma barreira importante para o avanço no tema em suas empresas.
Cautela e caldo de galinha
“Será que há risco de minha empresa não poder usar um fornecedor da Ásia porque houve uma proibição da contratação de um serviço no exterior? Essa dinâmica exige uma reavaliação do risco do negócio”, disse ao NeoFeed Leonardo Donato, sócio-líder da EY na América Latina, no estande da empresa no MWC.
A própria guerra do Irã e dos EUA preocupa quanto ao risco de afetar o desempenho do negócio, justamente pelo isolamento de importantes fornecedores que ficam em países em conflito.
Por isso que, segundo Donato, as empresas brasileiras têm adotado um tom maior de cautela na hora da contratação de serviços de IA. “Uma grande operadora brasileira não pode ficar dependendo do risco de um possível conflito envolvendo a China, por exemplo.”
Uma discussão que deverá seguir presente logo após o MWC. E ainda no meio do conflito no Oriente Médio. “Se eu tivesse um provedor de nuvem por lá, eu estaria preocupado”, afirma o sócio-líder da EY.
O jornalista viajou a convite da Vivo.
