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A discussão sobre o fim da jornada 6×1 no setor de saúde pode impactar negativamente o Ebitda das principais empresas, como Rede D’Or, Hapvida, Dasa e Fleury, em 3,1%.
A mudança de 44 para 40 horas semanais exigirá um aumento de 10% no quadro de funcionários, já que 40% das equipes operacionais trabalham em jornada ampla.
A Rede D’Or deverá contratar 2,2 mil novos funcionários, enquanto Hapvida, Dasa e Fleury precisarão de 1,9 mil, 1,3 mil e 1,1 mil, respectivamente.
O custo adicional para a Rede D’Or pode chegar a R$ 214 milhões anuais, com valores menores para as outras empresas. O repasse desses custos ao consumidor é esperado, mas há a expectativa de medidas compensatórias do governo.
A Rede D’Or, apesar do impacto, deve manter sua posição competitiva e é vista como a principal escolha do setor, com valorização significativa na B3.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O avanço da discussão em torno do fim da jornada 6×1 de trabalho (seis dias de trabalho para um de descanso), que vem sendo alvo de debates no Congresso Nacional, deve pressionar os custos das principais companhias listadas do setor de saúde, como Rede D’Or, Hapvida, Fleury e Dasa.
Para o BTG Pactual, a perspectiva é que, caso seja confirmada a mudança no regime trabalhista, reduzindo das atuais 44 horas semanais de jornada de trabalho para 40 horas, as companhias sintam um impacto negativo médio de 3,1% no Ebitda.
A questão está no fato de que cerca de 40% das equipes operacionais das empresas de saúde atuam em jornada ampla atualmente, principalmente pela necessidade de operação 24 horas das unidades hospitalares.
“Ao estimarmos o número de funcionários atualmente trabalhando sob o regime 6×1 (jornada de 44 horas) e assumindo uma possível redução para o limite de 40 horas semanais, as empresas precisariam contratar pessoal adicional (cerca de 10%) para manter as cargas de trabalho relativamente estáveis, já que qualquer mudança não permitiria redução salarial”, diz o documento do banco.
Atualmente, há três principais caminhos, na forma de propostas de emenda à Constituição (PECs) relacionadas à redução da jornada de trabalho no Brasil.
A principal delas, e a que o BTG acredita que irá avançar, é justamente a que diminui para 40 horas semanais, seguida por uma redução faseada ao longo de quatro anos, até alcançar 36 horas. Aposta do governo Lula, a proposta está pronta para ir a plenário.
Outra que foi apresentada recentemente prevê a implementação do modelo 4×3, resultando em uma jornada de 36 horas semanais, sem período de transição. A terceira iniciativa fala em redução gradual ao longo de dez anos.
“O governo federal recentemente fez declarações públicas sinalizando apoio a mudanças no regime 6×1. Como é ano eleitoral, o debate em torno de uma possível nova legislação trabalhista pode ganhar maior visibilidade e se tornar mais presente na agenda política”, afirma o relatório, assinado pelos analistas Samuel Alves e Maria Resende.
Com o impacto financeiro a partir da necessidade da contratação de mais mão-de-obra, a tendência, na visão do banco, é que haja o repasse do aumento deste custo para o consumidor final.
De qualquer forma, há uma expectativa do setor para que haja alguma medida compensatória, por parte do governo, que amenize parte deste desembolso extra.
“Eventual aprovação pode vir acompanhada de medidas compensatórias, como isenções fiscais, desoneração da folha de pagamento ou outros benefícios. Parte do impacto também poderia ser repassada aos preços”, afirma o BTG.
Ainda segundo dados apresentados no relatório, a Rede D’Or é a que mais irá contratar funcionários, levando em conta a aprovação da medida mais adiantada da reforma trabalhista no Congresso Nacional.
Hoje, o grupo da família Moll tem cerca de 24 mil trabalhadores atuando na jornada de 44 horas semanais. E, com a mudança, deve precisar de mais 2,2 mil funcionários.
Com 21,6 mil colaboradores neste patamar de ritmo de trabalho, o grupo Hapvida terá de adicionar mais 1,9 mil trabalhadores no quadro. No mesmo raciocínio, a Dasa, que tem hoje 14,5 mil na jornada de 44 horas, terá de contratar mais 1,3 mil.
Dessa forma, o custo adicional de pessoal para a Rede D’Or deve chegar a R$ 214 milhões ao ano. Para a Hapvida, o valor alcança R$ 107 milhões, enquanto Dasa deve ter que desembolsar mais R$ 85 milhões. Para o Fleury, o custo extra pode chegar a R$ 63 milhões.
Neste sentido, segundo os analistas do banco, quem menos perde com as possíveis mudanças na legislação trabalhista, entre os principais players do setor, é a Rede D’Or.
“Se aprovada, a reforma da jornada de trabalho provavelmente afetaria todos os players e não alteraria materialmente o posicionamento competitivo da Rede D’Or”, dizem os analistas.
“Dentro de saúde, a companhia permanece como nossa principal escolha, sustentada por fortes perspectivas de crescimento hospitalar, melhora de rentabilidade em diferentes segmentos e múltiplos catalisadores”, afirma o relatório do BTG.
Avaliada em R$ 99,1 bilhões, a Rede D’Or acumula valorização de 51,3% em 12 meses na B3. Hapvida vale hoje R$ 5,1 bilhões (queda de 67,7% em 12 meses). Fleury tem valor de mercado de R$ 9,6 bilhões (alta de 54% na mesma base). O market cap da Dasa é de R$ 5,2 bilhões (147% de valorização em 12 meses).
