O alerta vem da agência da ONU para refugiados, do ACNUR e do Programa Alimentar Mundial (PMA).
Afirmaram que “a assistência essencial aos refugiados será drasticamente reduzida ainda mais nos próximos meses”, a menos que um défice de 428 milhões de dólares seja coberto.
Hospedando 1,3 milhão
O Chade acolhe cerca de 1,3 milhões de pessoas que fugiram do Sudão, tendo a maioria – mais de 900.000 – chegado desde o início da guerra entre militares rivais que eclodiu em Abril de 2023.
As comunidades anfitriãs continuam a receber novas chegadas, incluindo quase 15.000 desde o início do ano.
Sudão do Sul: ‘Crise alarmante do tráfico de crianças’
Um especialista independente nomeado pelo Conselho de Direitos Humanos deu o alarme na quinta-feira sobre uma escalada no tráfico relacionado com o conflito no Sudão do Sul, descrevendo a situação como uma “terrível crise humanitária”.
Siobhán Mullally, Relatora Especial sobre o Tráfico de Pessoas, alertou que os ataques generalizados contra civis estão a ter um “impacto desproporcional nas crianças”.
A crise está a ser alimentada por deslocações em massa, com 1,4 milhões de pessoas que fogem da guerra no vizinho Sudão, juntando-se a quase dois milhões de sul-sudaneses deslocados internamente.
© UNOCHA/Adedeji Ademigbuji
‘Normalização’ perigosa
Mullally observou que a violência sexual relacionada com conflitos tornou-se “normalizada”, com raparigas traficadas para escravatura sexual e forçadas a engravidar. Entretanto, os rapazes enfrentam o recrutamento forçado para funções de combate.
“Os raptos para escravatura sexual, o recrutamento forçado, o casamento forçado e infantil e a exploração sexual são violações graves do direito internacional que podem constituir crimes de guerra”, disse ela.
Destacando uma cultura de “impunidade generalizada”, apelou à operacionalização urgente do Tribunal Híbrido mandatado pela União Africana para garantir justiça aos sobreviventes.
Burundi: Cinco mortos por “doença misteriosa”
As autoridades de saúde no Burundi, apoiadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) das Nações Unidas, estão a correr para identificar uma doença misteriosa que já ceifou cinco vidas no norte do país.
O surto, centrado no distrito de Mpanda, perto da fronteira com a República Democrática do Congo, já adoeceu 28 pessoas.
Os casos, notificados pela primeira vez em 30 de Março, afectaram principalmente membros do mesmo agregado familiar.
Sintomas graves
Os pacientes apresentaram sintomas graves, incluindo febre, vômito, diarréia e sangue na urina, com alguns casos apresentando icterícia e anemia.
Embora os testes iniciais para as doenças dos vírus Ébola e Marburg tenham apresentado resultados negativos, estão em curso análises laboratoriais adicionais.
A OMS está atualmente a apoiar o Ministério da Saúde no “fortalecimento da vigilância das doenças, da investigação no terreno, dos cuidados clínicos e do diagnóstico laboratorial”.
Uma equipa conjunta de especialistas foi enviada para o terreno para coordenar a resposta e “sustentar as principais operações” numa tentativa de conter a propagação.
Sérvia: ‘Erosão do espaço cívico’ muito preocupante
O chefe dos direitos humanos da ONU, Volker Türk, alertou para uma deterioração “muito preocupante” das liberdades democráticas na Sérvia.
O Alto Comissário manifestou preocupação com as crescentes restrições ao espaço cívico, citando ataques contínuos contra vozes críticas e restrições significativas à liberdade dos meios de comunicação social.
As recentes eleições locais foram marcadas por relatos de intimidação de eleitores, irregularidades processuais e batidas policiais em instalações da oposição, que, segundo Türk, “levantam sérias questões sobre a integridade” do processo eleitoral.
Repórteres visados
Ele também destacou a “contínua perseguição a jornalistas” e a crescente pressão sobre os meios de comunicação independentes como prova de um ambiente democrático em declínio.
O chefe dos direitos da ONU instou as autoridades sérvias a defenderem os direitos à liberdade de expressão e de reunião pacífica.
Apelou a “medidas concretas” para restaurar a confiança do público nas instituições nacionais através de investigações transparentes e imparciais sobre violações dos direitos humanos, sublinhando que deve haver “responsabilização por qualquer irregularidade”.
Fonte: VEJA Economia
