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A série “Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette”, da Hulu/FX, retrata Nova York nos anos 90 e o romance do casal, que culminou em tragédia com a morte deles em um acidente de avião em 1999.
A série, que já acumulou mais de 40 milhões de horas assistidas, enfrenta críticas sobre a veracidade de alguns fatos, mas ainda assim atrai o interesse pelo legado da família Kennedy.
Carolyn, que trabalhou na Calvin Klein, conheceu John-John como cliente da loja, onde se destacou e se tornou relações públicas da marca.
Seu estilo minimalista influenciou a moda da época, especialmente ao escolher um vestido de noiva simples.
A Calvin Klein, fundada em 1968, era uma potência no setor, e Carolyn teve um papel importante na escolha de modelos como Kate Moss.
A série também destaca a pressão do mercado atual sobre designers, contrastando com a narrativa mais longa e cuidadosa do passado.
Carolyn deixou a Calvin Klein, pois seu casamento com um Kennedy se tornaria uma distração.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Nova York — Uma Nova York dos anos 1990, despida de celulares e repleta de orelhões, bancas de revistas e as Torres Gêmeas na paisagem. Este é o cenário da série Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette, produzida pela plataforma Hulu/FX e disponível na Disney+.
Com nove episódios, a série bateu o recorde de audiência, com mais de 40 milhões de horas assistidas desde a estreia em 12 de fevereiro passado.
Há críticas na mídia americana em relação à atuação, questionamentos em torno de diálogos e uma carta aberta, publicada no jornal The New York Times, da atriz Daryl Hannah, ex-namorada de John-John, negando a veracidade de alguns fatos.
Ainda assim, o sucesso da série resulta do eterno fascínio pela família Kennedy misturado a um conto de Cinderela — mesmo sem um final feliz.
O casal faleceu num acidente de avião particular, pilotado por John-John, em julho de 1999. Ele tinha 38 anos, Carolyn, 33, e sua irmã, Lauren Bessette, também a bordo — aos 34, ela construía uma carreira no banco Morgan Stanley.
O impacto de Love Story pode ser visto em Manhattan nas longas filas do restaurante Panna II, no East Village, frequentado pelo casal nos horários vazios, e nas aglomerações na porta do prédio onde viviam, em TriBeCa.
No mundo digital, edições da revista George, criada por John-John em 1995, chegam a custar US$ 500 no eBay, enquanto peças vintage da Calvin Klein invadiram as redes sociais, descobertas pela geração Z.
Foi lá que Carolyn, então com 22 anos, trabalhou de 1988 até se casar, em 1996. Formada pela Boston University e avessa ao estrelato, ela começou como vendedora de uma loja da marca em Boston, e seu desempenho rendeu-lhe uma transferência para Nova York.
Desta forma, ela conheceu seu futuro marido, cliente da loja na 654 Madison Avenue, que oferecia assessoria exclusiva para clientes no segundo andar. Lá, John-John escolhia seus ternos e pedia alterações para seu tamanho. (Em Love Story, há uma cena em que Carolyn tira suas medidas, depois de o casal ter sido apresentado por Calvin Klein em uma festa).
Carolyn chamou a atenção de Calvin, tornou-se relações públicas e teve grande influência na escolha da modelo Kate Moss, então com 18 anos, que representou a marca entre 1992 e 1999.
Fiel ao estilo minimalista da grife, Carolyn também vestia Yohji Yamamoto e Prada. Ela ainda virou a indústria de vestido de noivas do avesso ao optar por um modelo de seda perolada, simples e elegante, assinado por um amigo, o designer Narciso Rodriguez.
Numa cerimônia discreta e remota, a única foto divulgada à imprensa foi suficiente para desbancar mangas bufantes, rendas e babados típicos da década de 90.
“A cena de Love Story, na qual Carolyn sai do metrô, caminha até o prédio da Calvin Klein, pega o elevador e percorre os corredores do escritório, retrata exatamente a minha rotina”, conta ao NeoFeed a paulistana Bia Martinez, que chefiou a área de design têxtil da marca entre 1996 e 2002. Hoje, ela está à frente da Tatiz, empresa internacional de design de tecidos para móveis de varanda e jardins.
Após o hype, a revista “George”, de JFK Jr., está sendo vendida por até US$ 500 no eBay (Foto: Reprodução/Ebay)
John-John e Caorlyn se conheceram no número 654 da Madison Avenue, onde em 1992 funcionava uma loja da Calvin Klein (Foto: Reprodução)
Um dos efeitos da série são as longas filas no restaurante Panna II, no East Village, frequentado pelo casal (Foto: Reprodução)
Uma legião de curiosos tem visitado o prédio em TriBeCa, onde John-John e Carolyn viviam (Foto: Reprodução)
Diretor criativo da coleção feminina da Calvin Klein de 2003 a 2026, o estilista mineiro Francisco Costa lembra que, na década de 1990, os designers passavam anos construindo uma narrativa (Foto: arquivo pessoal)
A brasileira Bia Martinez teve trajetória semelhante à de Carolyn. Na Calvin Klein, chefiou a área de design têxtil entre 1996 e 2002
A série traz o ator Paul Anthony Kelly como JFK Jr. e a atriz Sarah Pidgeont como Carolyn Bessette (Foto: Divulgação)
“Meu maior privilégio foi ter trabalhado diretamente com o Calvin”, diz Bia, que foi promovida pelo próprio empresário após dois anos de casa.
Com mestrado na Philadelphia College of Textiles and Science, Bia minimizava o tempo e o custo de criação e produção das peças, combinando tecnologia ao processo de design. Ela reforça que os tecidos eram produzidos do zero para cada peça.
A Calvin Klein foi fundada em 1968. Sediada no icônico endereço 250 W 39th Street, a empresa ocupava, na época, pelo menos 12 andares. Bia trabalhava em um andar diferente do de Calvin. “Nosso espaço era mais agitado”, lembra.
“As paredes tinham mood boards com ideias para coleções e, depois, design boards com os desenhos das peças. A paleta de cores era uma gama de tons de bege e cinza, mas a nossa missão era propor combinações que saíssem do óbvio”, revela ela, que trabalhava com designers de todos os departamentos.
O estilista descia de seu escritório para aprovar as peças e, a cada reunião, Calvin, então na faixa dos 50 anos, reforçava o conceito da marca: sexy e despretensiosa. “Ele era um líder que escutava e questionava o time. A gente trabalhava muito, virava várias noites, mas sempre com muito prazer”, recorda.
Bia viajava constantemente para a Europa, pesquisando fiações e tendências, incluindo Cuomo, na Itália, em busca de seda para o desenvolvimento de gravatas e lenços. “As passagens aéreas eram sempre na primeira classe. Cheguei a sentar na poltrona 1A”, conta.
Na época, a Calvin Klein tinha escritórios satélites em cidades como Milão, Paris e Hong Kong. A empresa sofreu uma reestruturação em 2001, demitindo cerca de 100 dos seus 850 funcionários.
Naquele ano, a CK faturava US$ 5 bilhões anuais no varejo, com licenciamento de produtos vendidos internacionalmente em mais de 40 lojas. Entre as empresas que levam o nome de um só designer, a Calvin Klein só perdia para a Ralph Lauren no mercado global.
Em dezembro de 2002, Calvin Klein vendeu a empresa para a Phillips-Van Heusen por US$ 430 milhões, com royalties futuros estimados em US$ 700 milhões. Ele passou a ser consultor.
“Na série da Hulu, a réplica da sala do Calvin é idêntica, apesar de ser bem maior do que a original”, diz o mineiro Francisco Costa ao NeoFeed.
Diretor de criação da coleção feminina da empresa entre 2003 e 2016, ele ressalta que o roteiro capturou bem a inteligência, relevância e doçura de Kelly, esposa de Calvin, e o estilo vanguardista de Carolyn.
Costa, hoje CEO da Costa Brazil, linha de fragrâncias e skincare, nota que aquela era uma época em que designers passavam anos construindo uma narrativa. Segundo ele, hoje a pressão do mercado impõe a troca de cadeiras por muito menos tempo. Às vezes meses.
“A forma como Calvin contratava foi sugerida por Paul Wilmot, relações públicas da empresa, inspirada no modelo da Ralph Lauren. “Wilmot buscava pessoas das classes mais altas. Nestes moldes, ele contratou a Carolyn”, nota Costa.
Love Story revela, no entanto, que ela deixou a empresa porque seu casamento com um Kennedy passaria a ser uma distração. Segundo a série, o afastamento da carreira que ela tanto amava foi o começo do fim.
Fonte: NeoFeed
