Violência contra a mulher reacende debate sobre a importância da defesa pessoal

A violência contra a mulher continua sendo um dos problemas sociais mais graves do país e tem reacendido discussões sobre prevenção, proteção e conscientização. Em meio a esse cenário, iniciativas voltadas ao ensino de técnicas de defesa pessoal para mulheres têm ganhado espaço como uma forma de ampliar segurança, consciência e preparo diante de situações de risco.

A violência contra a mulher continua sendo um dos problemas sociais mais graves do país e tem reacendido discussões sobre prevenção, proteção e conscientização. Em meio a esse cenário, iniciativas voltadas ao ensino de técnicas de defesa pessoal para mulheres têm ganhado espaço como uma forma de ampliar segurança, consciência e preparo diante de situações de risco.

No dia 12 de março de 2026, a Federação Internacional de Krav Maga, unidade Tatuapé, em São Paulo, representada pelos mestres Tales Brinca e Rafael, realizou uma aula de defesa pessoal voltada exclusivamente para mulheres. A atividade foi promovida em parceria com o Papo de Leoa, projeto liderado por Andressa Gnann, com o objetivo de discutir a violência contra a mulher e estimular o acesso ao conhecimento sobre autoproteção.

De acordo com o mestre Tales Brinca, o Krav Maga é reconhecido mundialmente como um sistema de defesa pessoal focado na proteção em situações reais.

“O Krav Maga é um sistema de defesa pessoal reconhecido mundialmente como uma arte de defesa pessoal. E é o sistema mais eficaz e completo que existe”, afirma.

Segundo ele, o cenário atual de violência torna o debate ainda mais necessário. Para o profissional, aprender defesa pessoal deixou de ser apenas uma escolha individual.

“Nós dizemos que a defesa pessoal deixou de ser uma opção para ser uma realidade, uma necessidade. Uma parte do nosso trabalho é gerar essa consciência nas pessoas para que elas busquem conhecimento e se sintam mais seguras na rua”, explica.

Ainda segundo Tales, compreender o ambiente em que se vive é essencial para reduzir riscos no dia a dia.

“Essa conexão com a realidade e entender que nós vivemos em uma sociedade extremamente violenta é fundamental para conseguir conviver com esse ambiente e escolher caminhos mais seguros.”

Além da questão técnica, o contato com práticas de defesa pessoal também costuma gerar impactos emocionais e comportamentais nas participantes. Para o mestre, uma das principais transformações observadas nas mulheres que iniciam o treinamento está relacionada à confiança e ao controle emocional.

“A maior transformação que nós vemos nas pessoas é a autoestima. Em uma situação em que você precisa reagir, essa autoestima que gera controle emocional é fundamental.”

Para Andressa Gnann, idealizadora do Papo de Leoa, o enfrentamento da violência contra a mulher exige ações em diversas frentes da sociedade. Segundo ela, o debate não pode se limitar apenas às consequências da violência, mas também às suas origens e formas de prevenção.

“Entendo que devemos continuar conscientizando a sociedade para reduzir ou até eliminar a violência contra a mulher”, afirma.

Ela destaca que a mudança precisa começar ainda na infância, especialmente em ambientes onde a violência é naturalizada.

“Precisamos começar a conscientizar desde as nossas crianças, afinal muitos crescem em um ambiente de violência e acabam repetindo padrões, enquanto meninas crescem acreditando que é normal ser humilhada, maltratada, manipulada e violentada.”

A advogada também ressalta que muitas mulheres ainda têm dificuldade em identificar sinais de abuso, especialmente quando a violência ocorre de forma psicológica.

“Precisamos conscientizar as mulheres sobre o que é um relacionamento abusivo e o que é violência. A violência psicológica precede a violência física e, na minha experiência, a maior parte das mulheres não identifica a violência psicológica.”

Outro ponto destacado por Andressa é a necessidade de responsabilização de agressores e de maior atenção institucional aos casos de violência psicológica.

“O Judiciário precisa deixar de ignorar a violência psicológica. Não adianta existir a criminalização se não há punição e medidas efetivas.”

Ela também defende que a independência financeira pode ajudar mulheres a romper ciclos de violência e buscar apoio profissional.

“A mulher buscar sua independência financeira possibilita fazer escolhas mais saudáveis e conscientes, inclusive procurar profissionais para auxiliar, como psicólogas, terapeutas ou advogadas. Foi exatamente por isso que surgiu o Papo de Leoa.”

Por fim, Andressa ressalta que aprender técnicas de defesa pessoal deve ser visto como uma medida preventiva diante da realidade social.

“As mulheres aprenderem a se defender não é uma inversão de valores ou de papéis, mas uma questão de prevenção e necessidade.”

Iniciativas como a aula realizada em São Paulo refletem uma discussão cada vez mais presente na sociedade: além da conscientização e da responsabilização de agressores, cresce a percepção de que o acesso ao conhecimento e a ferramentas de autoproteção pode contribuir para ampliar a segurança e a autonomia das mulheres.

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