O alerta do Daycoval: choque do petróleo deve elevar inflação e pressionar preços administrados no Brasil

O alerta do Daycoval: choque do petróleo deve elevar inflação e pressionar preços administrados no Brasil

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O aumento recente nos preços do petróleo deve pressionar a inflação brasileira, complicando a política monetária do Banco Central. Um estudo do Banco Daycoval indica que, se o barril se estabilizar em US$ 80, a inflação para 2026 pode subir de 3,4% para 5%. O impacto será maior em preços administrados no curto prazo e em serviços no médio prazo. O choque atual, causado pelo conflito no Oriente Médio, elevou o preço do barril de US$ 60 para mais de US$ 100.

O estudo destaca que alimentos devem sofrer impacto moderado, enquanto bens industriais serão mais afetados pelo aumento dos custos de energia. Apesar das preocupações, o Daycoval acredita que os efeitos inflacionários podem se dissipar se os preços do petróleo retornarem aos níveis pré-conflito em até seis meses. A tensão no mercado de petróleo continua alta, com a possibilidade de interrupções na produção no Golfo.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O aumento recente nos preços internacionais do petróleo deve provocar uma pressão significativa sobre a inflação brasileira nos próximos trimestres, adicionando mais complexidade à condução da política monetária por parte do Banco Central. Essa é a conclusão de um estudo do Banco Daycoval, do qual o NeoFeed teve acesso em primeira mão.

Assinado por Rafael Cardoso, economista-chefe do banco, e pelos economistas Julio Cesar Barros e Antonio Ricciardi, o estudo indica que o choque no petróleo pode elevar inflação com pressão maior em preços administrados no curto prazo e em preços de serviços no médio prazo.

Os analistas, porém, ressaltam que o fator determinante para a inflação não é apenas o tamanho do choque atual, mas qual será o novo patamar de equilíbrio do petróleo após o conflito. Enquanto isso não se define, o risco inflacionário permanece elevado e exige atenção redobrada do BC para conduzir a trajetória da Selic.

Na última reunião de política monetária do Banco Central (Copom), a avaliação do comitê era de que, embora existam desafios para a convergência da inflação — como o mercado de trabalho apertado —, a inflação corrente tem apresentado surpresas benignas e, portanto, o grau de aperto poderia começar a ser reduzido na reunião de março, agendada para a próxima semana, sinalizando o início de cortes de juros.

É importante frisar que o estudo do Daycoval se debruça sobre o eventual impacto do choque de petróleo na trajetória da inflação, deixando de lado projeções de quanto o choque de petróleo causaria no ciclo de queda da Selic.

O relatório destaca que o choque atual, provocado pelo conflito no Oriente Médio, elevou o preço do barril de cerca de US$ 60 no início de janeiro para mais de US$ 100 em março. Embora haja sinais de uma possível pausa na escalada do preço do barril, o mercado segue sem clareza sobre a duração do conflito e sobre a velocidade de normalização das cotações.

“Caso o barril se estabilize em torno de US$ 80, a projeção de inflação para 2026 pode subir de 3,4% para 5,0%, enquanto a estimativa para o horizonte relevante da política monetária — o terceiro trimestre de 2027 — avançaria de 3,2% para 3,7%”, aponta o relatório. Horizonte relevante é o período futuro da inflação que o Banco Central usa como referência para tomar decisões de juros hoje.

No curto prazo, o principal canal de transmissão para o IPCA é o grupo de preços administrados, especialmente combustíveis. O estudo ressalta que, assumindo repasse integral das cotações internacionais, o impacto potencial sobre gasolina e derivados pode ser expressivo em 2026. Já no médio prazo, o destaque passa a ser o grupo de serviços, cuja inflação tende a reagir à inércia gerada pelo aumento da inflação cheia.

A análise também observa que alimentos tendem a sofrer impacto mais moderado do que em choques anteriores, como o da guerra na Ucrânia, já que a oferta global de grãos não está diretamente comprometida. Ainda assim, custos de fertilizantes e fretes podem pressionar preços ao longo da cadeia.

No caso dos bens industriais, o Daycoval aponta que a dependência maior de energia torna o setor sensível ao encarecimento do petróleo, revertendo parte do comportamento benigno observado desde o ano passado.

O estudo reforça que o cenário traz novas preocupações à condução da política monetária por parte do BC. “Mesmo que o impacto sobre núcleos de inflação seja limitado, a inflação mais alta ocorre em um ambiente de atividade aquecida, expectativas desancoradas e volatilidade cambial típica de ano eleitoral”, adverte o relatório.

Ainda assim, o Daycoval acredita que choques de petróleo tendem a se dissipar após o fim do evento que os originou. “Se o barril retornar ao patamar pré-conflito em até seis meses, os efeitos sobre a inflação projetada para o terceiro trimestre de 2027 podem ser menores — e até de queda — devido ao chamado ‘efeito rebote’”, aponta o estudo.

O termo “efeito rebote” refere-se ao movimento econômico no qual um preço sobe por causa de um choque, mas depois cai rapidamente. Neste caso, a inflação tende a desacelerar mais à frente, podendo se estabilizar abaixo do normal.

O Daycoval é hoje um dos maiores bancos médios do Brasil, com atuação forte em crédito para empresas, consignado, veículos, câmbio e investimentos. Possui mais de 1,87 milhão de clientes, ativos totais de R$ 81,7 bilhões e presença nacional com 53 agências.

Tensão em alta

As projeções de aumento do preço do barril previstas no estudo do Daycoval são até tímidas tendo em vista o cenário desta quinta-feira, 12 de março, no mercado internacional.

A liberação recorde de reservas estratégicas de petróleo, anunciada nos últimos dias, não conseguiu impedir a alta dos preços do petróleo, e os contratos futuros do petróleo Brent estavam se aproximando novamente de US$ 100 por barril.

Uma série de ataques em todo o Oriente Médio intensificou as preocupações com possíveis interrupções prolongadas nos mercados de energia. Sete navios foram atingidos em águas próximas ao Irã desde a véspera, incluindo dois petroleiros estrangeiros carregados com óleo combustível que pegaram fogo e vazaram óleo em águas iraquianas.

Os futuros das ações americanas recuaram da mesma forma que os índices de ações asiáticos e europeus.

A tensão aumentou com o anúncio da Agência Internacional de Energia (AIE) de que espera um crescimento na oferta de petróleo de apenas 1,1 milhão de barris por dia este ano, abaixo da previsão anterior de 2,4 milhões de barris. “A guerra no Oriente Médio está criando a maior interrupção no fornecimento da história do mercado global de petróleo”, advertiu a agência.

Um risco ainda não totalmente refletido nos preços do petróleo é a possibilidade de que os produtores do Golfo comecem a interromper a produção em seus poços até o final de março, caso as interrupções na região persistam.

Talvez por isso, estrategistas de commodities do Goldman Sachs reavaliaram estimativas anteriores, indicando que os contratos futuros de petróleo bruto Brent fiquem em média a US$ 98 por barril em março e abril, um aumento de cerca de 40% em relação ao preço médio de 2025.

O Goldman espera que os preços caiam para US$ 71 no quarto trimestre — ainda acima dos aproximadamente US$ 60 em que o Brent fechou o ano passado.



Fonte: NeoFeed

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