Assistente social, empresária e pesquisadora, Tálua construiu uma trajetória que conecta educação, empreendedorismo feminino e desenvolvimento local com foco em autonomia econômica e transformação social
Filha de um ex-jogador de futebol que atuou pelo Galícia e de uma professora, Tálua Jarones cresceu entre dois pilares que ajudariam a moldar sua trajetória: performance e formação. Do pai, herdou a disciplina, a constância e a compreensão de que resultados exigem método e persistência. Da mãe, educadora, assimilou desde cedo a ideia de que o conhecimento é um dos instrumentos mais poderosos para romper ciclos de desigualdade e ampliar horizontes.
Natural de Salvador, na Bahia, e moradora de Lauro de Freitas, na região metropolitana, desde os 8 anos de idade, Tálua vivenciou ainda na infância as limitações estruturais historicamente impostas à população negra e às mulheres de baixa renda. Inserida em um contexto marcado por desigualdades sociais, econômicas e de acesso a oportunidades, conheceu de perto os obstáculos que atravessam a vida de quem cresce em territórios periféricos.
Em vez de permitir que esse cenário definisse seus limites, transformou a própria vivência em consciência crítica, estratégia e força motriz. Ao longo dos anos, construiu uma trajetória baseada em disciplina, educação e visão de futuro três elementos que hoje sintetizam sua atuação profissional e sua leitura sobre desenvolvimento social.
Formação construída com propósito
Com mais de 17 anos de experiência, Tálua Jarones consolidou sua atuação como assistente social a partir de uma prática consistente, ética e comprometida com transformação concreta. Sua formação acadêmica acompanha essa trajetória de maneira coerente e aprofundada, ampliando sua capacidade de compreender dinâmicas humanas, institucionais e coletivas.
Entre suas especializações estão a pós-graduação em Psicologia de Grupos e Equipes, a pós-graduação em Psicologia Organizacional e do Trabalho e o MBA em Gestão de Pessoas. As formações contribuíram para expandir sua leitura sobre comportamento, relações de trabalho, liderança e desenvolvimento organizacional, elementos que mais tarde se tornariam centrais em sua atuação empresarial.
Atualmente, Tálua é mestranda na Universidade Federal da Bahia (UFBA), na linha de Processos Educativos Étnico-Raciais, onde aprofunda estudos sobre educação, identidade, raça e relações sociais. Sua trajetória reúne vivência, formação acadêmica e prática profissional em uma construção sem desvios de propósito.

A periferia, em sua história, não aparece como limite. Surge como ponto de partida.
Liderança feminina entre maternidade, carreira e impacto
Mãe de Luna Jarones da Silva, de 11 anos, e casada há mais de uma década, Tálua desenvolveu sua liderança de forma orgânica, coerente e ancorada na realidade. Ao longo da carreira, demonstrou que é possível ocupar espaços de decisão, produzir conhecimento e gerar impacto social sem dissociar trajetória profissional, vida pessoal e maternidade.
Sua caminhada representa uma nova geração de mulheres negras empresárias que transitam com segurança entre diferentes ambientes da academia ao mercado, passando pelos territórios periféricos. O diferencial está justamente na forma como ocupa esses espaços: com autoridade técnica, construída por formação e experiência, e com legitimidade social, reconhecida pelo pertencimento e pelo compromisso com as realidades que representa.
Essa combinação confere à sua atuação um caráter raro. Tálua não fala apenas sobre inclusão, desenvolvimento e oportunidades. Ela atua a partir de uma experiência concreta, traduzida em metodologia, prática e entrega.
Um negócio desenhado como projeto de impacto
A carreira de Tálua Jarones não foi construída ao acaso. Foi estruturada como um projeto de impacto. Há mais de uma década, ela fundou a ELA Consultoria & Treinamento, empresa de impacto social voltada ao empreendedorismo feminino e ao desenvolvimento organizacional.
A proposta da consultoria combina assistência social aplicada, psicologia organizacional, gestão estratégica de pessoas e metodologias de desenvolvimento socioeconômico. Na prática, trata-se de um modelo que une leitura técnica e sensibilidade territorial para atuar sobre desafios reais de autonomia econômica, formação profissional e fortalecimento de lideranças femininas.
A atuação da ELA já impactou cerca de 5 mil mulheres na Bahia, por meio de programas de formação, mentorias e treinamentos desenvolvidos em parceria com o poder público e com empresas privadas. Entre os resultados observados estão o aumento médio de até 40% na renda das participantes, a formalização de novos negócios liderados por mulheres, a inserção produtiva em cadeias locais de comércio e serviços e o fortalecimento de redes de empreendedoras periféricas.
Ao dialogar diretamente com agendas contemporâneas de ESG, diversidade e inclusão, a empresa conecta impacto social e eficiência operacional em um mesmo modelo de atuação. Mais do que oferecer capacitação, a consultoria trabalha para estruturar possibilidades reais de crescimento.

À frente da ELA Consultoria & Treinamento, Tálua Jarones conduz iniciativas voltadas ao empreendedorismo feminino, à formação profissional e ao desenvolvimento de mulheres em contextos de vulnerabilidade social.
A Maratona Empreendedora como tecnologia social escalável
Entre os projetos de maior visibilidade está a Maratona Empreendedora, programa intensivo de capacitação voltado a mulheres em situação de vulnerabilidade social. Realizado em parceria com instituições como a Prefeitura de Salvador e empresas privadas, o projeto reúne formação técnica profissional, educação financeira, precificação estratégica, desenvolvimento emocional e mentoria de negócios.
O diferencial do programa está no fato de que ele vai além da capacitação pontual. A proposta é estruturar microempreendedoras com visão de crescimento, sustentabilidade e inserção econômica mais sólida. Em vez de uma lógica emergencial, o projeto trabalha com construção de autonomia.
Ao longo do tempo, a Maratona Empreendedora vem se consolidando como um modelo de tecnologia social replicável, com potencial de implementação em diferentes territórios urbanos. O programa evidencia como soluções desenhadas a partir da realidade local podem ganhar escala sem perder profundidade.
Essa visão também atravessa sua produção acadêmica. No mestrado da UFBA, Tálua desenvolve pesquisa sobre empreendedorismo feminino negro como tecnologia social de desenvolvimento local, ampliando a conexão entre ciência, políticas públicas e gestão empresarial.
Impacto social como arquitetura de desenvolvimento
Para Tálua Jarones, impacto social não se confunde com assistencialismo. Em sua visão, trata-se de uma arquitetura de desenvolvimento: um processo estruturado para gerar autonomia real e transformação duradoura.
O princípio que sustenta esse pensamento é direto: ajudar não é manter dependências, mas criar caminhos para que pessoas e comunidades construam sustentação própria. É justamente nesse espaço onde o Estado muitas vezes não alcança de forma suficiente e onde o mercado raramente investe com profundidade que sua empresa atua.
O foco está na formação estruturada de mulheres periféricas, não como beneficiárias passivas, mas como protagonistas econômicas. Ao transformar conhecimento em renda, autoestima em produtividade e experiência em estratégia, Tálua construiu mais do que uma empresa.
Construiu um modelo de atuação que articula desenvolvimento local, liderança feminina e transformação social com base em método, repertório e visão de longo prazo.
Uma trajetória que une origem, estudo e execução
A história de Tálua Jarones revela como origem, formação e propósito podem se combinar em uma liderança de impacto. Sua trajetória não nasce de um discurso pronto, mas de um percurso vivido, estudado e aplicado na prática.
Entre a disciplina herdada da família, a solidez acadêmica e a construção de uma empresa voltada à transformação econômica de mulheres, Tálua desenhou um caminho que alia técnica e pertencimento. Em um ambiente de negócios cada vez mais atento a inclusão, sustentabilidade e impacto, sua atuação aponta para uma agenda que não trata diversidade como retórica, mas como estratégia de desenvolvimento.
Tálua Jarones: Transformando Diversidade em Estratégia de Desenvolvimento e Autonomia Econômica Feminina
