A dobradinha da Eurofarma e Novo Nordisk para a guerra das canetas emagrecedoras

A dobradinha da Eurofarma e Novo Nordisk para a guerra das canetas emagrecedoras

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A farmacêutica Eurofarma lançou um programa de redução de preços para suas canetas emagrecedoras Poviztra e Extensior, após a expiração da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic.

O programa EuroCuida oferece preços acessíveis, começando em R$ 599 por duas caixas nos primeiros dois meses, e descontos progressivos a partir do quarto mês.

A Eurofarma, em parceria com a Novo Nordisk, busca democratizar o acesso ao tratamento da obesidade no Brasil, onde o mercado de canetas emagrecedoras deve crescer de R$ 10 bilhões em 2025 para R$ 15,6 bilhões em 2026.

A tendência é que a Anvisa aprove os primeiros registros no fim de maio. A previsão é que, no segundo semestre, a EMS lance sua versão para o Ozempic, com perspectiva de produzir um milhão de canetas entre julho e dezembro de 2026.

A Eurofarma não vê sua estratégia como concorrência direta com a Novo Nordisk, mas sim como uma forma de ampliar o mercado. A demanda por canetas emagrecedoras representa uma oportunidade significativa de crescimento para a empresa.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A patente da semaglutida, princípio ativo das canetas emagrecedoras Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, expirou no dia 20 de março no Brasil. E a farmacêutica dinamarquesa, que tentou via Justiça ampliar o prazo, agora busca ganhar terreno no mercado antes da chegada de novas versões dos medicamentos e da guerra que será iniciada pelo domínio deste segmento.

Um destes planos tem relação direta com a parceria estabelecida com a farmacêutica Eurofarma, responsável pela comercialização no país das canetas Poviztra e Extensior, também produzidas pela Novo Nordisk, mas com preços inferiores aos produtos originais.

Para isso, a Eurofarma acabou de lançar um programa em que, no tratamento dos primeiros dois meses, o paciente paga R$ 599 por duas caixas de Poviztra (versão do Wegovy), uma com dose de 0,25 miligramas (mg) e outra com 0,5 mg. Isso significa que cada caneta para um mês, neste período, sai por R$ 299,50.

O valor da caixa é 60% mais barato do que o preço médio de R$ 750 do Poviztra, encontrado nas principais redes varejistas. E quase 70% menor do que o próprio Ozempic, na dosagem inicial.

A questão é que este benefício só dura para os três primeiros meses de tratamento. A partir disso, o paciente terá 17% de desconto.

Na prática, é uma forma de a Eurofarma entrar forte na briga e de a Novo Nordisk recuperar parte do mercado perdido para o Monjauro, da concorrente americana Eli Lilly, que tem a tirzepatida como princípio ativo, e que passou a liderar as vendas no Brasil.

A Eurofarma prevê ganhar mercado, mesmo com a chegada de novos players a partir da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“É a única farmacêutica do Brasil que vai ter as duas marcas de semaglutida originais, idênticas ao da Novo Nordisk, a um preço mais acessível. E toda a segurança dos estudos. Esse é o grande diferencial”, diz Andréa Frazão, diretora de prescrição médica da Eurofarma, ao NeoFeed.

Fabricado pela Novo Nordisk, o Poviztra, caneta idêntica ao Wegovy, é comercializado pela Eurofarma

A Eurofarma planeja usar sua força de vendas no Brasil para potencializar no mercado estas duas marcas também produzidas pela companhia dinamarquesa. Em 2025, a farmacêutica brasileira realizou mais de nove milhões de visitas médicas. A empresa tem 4,3 mil representantes, que atendem cerca de 4,7 municípios brasileiros.

A executiva da companhia diz, no entanto, que o lançamento do plano de redução de preços não teve conexão comercial com o fim da patente do Ozempic e do Wegovy no Brasil, mas sim com o tempo necessário para a elaboração da estratégia de distribuição.

“Não houve relação direta com a expiração da patente. Há um tempo necessário para implementar esse programa com os parceiros e que pudesse estar à disposição nas farmácias”, afirma Frazão. “E, mesmo com pouco tempo, já temos o retorno que a iniciativa foi muito bem recebida pela classe médica.”

A Eurofarma se lança em uma corrida de um mercado bilionário que, somente, em 2025, movimentou R$ 10 bilhões com a venda das canetas emagrecedoras nas farmácias. A previsão é que deve chegar a R$ 15,6 bilhões em 2026, principalmente com a chegada de novos produtos no segundo semestre.

Segundo a Anvisa, há hoje três pedidos de registro para fabricação da semaglutida em estágio avançado, próximo da liberação. E a perspectiva é que a primeira aprovação saia até o fim de maio. Ávita Care, EMS e Megalabs são as empresas que aguardam a posição dos técnicos da agência reguladora.

No fim de março, o NeoFeed revelou que a farmacêutica controlada pela família Sanchez deve ser a primeira a lançar sua versão do Ozempic nas farmácias, a partir de fabricação própria. Com processo um pouco mais adiantado na Anvisa, a tendência é que a semaglutida da EMS chegue às farmácias no início do segundo semestre.

O plano da empresa, liderada por Carlos Sanchez, é de produzir um milhão de canetas de semaglutida entre julho e dezembro deste ano. O produto deve chegar entre R$ 500 e R$ 600. Isso vai representar uma redução de quase 50% sobre o valor hoje do Ozempic.

A Eurofarma, controlada pela família Billi, chegou a submeter um pedido de registro à Anvisa para fabricação da caneta emagrecedora, mas desistiu do movimento após a parceria para comercialização das novas canetas fabricadas pela Novo Nordisk. O dossiê, que já estava em andamento, foi repassado justamente para a Ávita Care.

A executiva não enxerga o plano da Eurofarma como uma concorrência direta com a dona do Ozempic. “A essência é ampliar o mercado e não competir. E cada uma tem uma estratégia comercial”, diz.

No ano passado, o segmento de prescrição médica, onde se encaixam as canetas emagrecedoras, respondeu por 58% do faturamento da Eurofarma. A receita líquida em 2025 foi R$ 12,5 bilhões, alta de 13,7%. O lucro líquido chegou a R$ 593,5 milhões, 116,8% acima do registrado no ano anterior.



Fonte: NeoFeed

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