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A Apple anunciou que John Ternus será o novo CEO a partir de 1º de setembro de 2026, substituindo Tim Cook, que se tornará chairman executivo. Ternus, atual vice-presidente sênior de Hardware Engineering, está na empresa desde 2001 e é visto como um executivo discreto, focado na inovação de produtos e na proteção de margens.
Ele assume em um momento em que a Apple precisa demonstrar que pode crescer além do iPhone e se adaptar à era da inteligência artificial, após ser considerada atrasada na corrida tecnológica. Ternus, formado em engenharia mecânica, começou sua carreira na Apple trabalhando com telas de Macs e supervisionou a transição para processadores próprios. Seu desafio será manter a eficiência da empresa enquanto busca novas oportunidades de crescimento e inovação.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A Apple decidiu fazer a mais importante troca de comando desde a sucessão de Steve Jobs sem recorrer a um nome de fora. A companhia anunciou nesta segunda-feira, 20 de abril, que John Ternus será seu novo CEO a partir de 1º de setembro de 2026, substituindo Tim Cook, que deixará o posto após 15 anos e passará a ocupar a função de chairman executivo.
John Ternus pode ser um nome pouco conhecido pelos consumidores, mas é bem importante na companhia. Ele estava no cargo de senior vice president de Hardware Engineering e lidera toda a engenharia de hardware da Apple e responde pelas equipes por trás de iPhone, iPad, Mac, Apple Watch, AirPods e Vision Pro. Ele está na empresa desde 2001 e integra o grupo mais próximo de Cook há anos, o que ajuda a explicar por que sua promoção soa menos como ruptura e mais como a formalização de um plano amadurecido nos bastidores.
Ele é considerado um executivo de perfil discreto, capaz de equilibrar inovação de produto com proteção de margem. Um exemplo foi que, em 2018, quando a Apple discutia incluir um pequeno laser nos iPhones para melhorar fotos, mapeamento do ambiente e recursos de realidade aumentada, Ternus teria defendido que a novidade fosse restrita aos modelos Pro, mais caros e voltados ao público mais disposto a pagar por tecnologia de ponta.
Ternus é visto internamente como um gestor atento aos detalhes, conhecedor da vasta cadeia de suprimentos da Apple e hábil em navegar a burocracia da empresa sem criar atritos. Aos 50 anos, ele tem a mesma idade que Cook tinha quando assumiu o comando, em 2011, e se tornará o primeiro CEO da Apple em três décadas com carreira inteira construída no hardware.
Recentemente, o jornal The New York Times fez uma reportagem sobre Ternus e ouviu executivos de dentro da Apple que dizem que ele é associado mais à manutenção e evolução dos produtos do que à criação de novas categorias. E ele teria exposição limitada às responsabilidades políticas e regulatórias que acompanham o posto de CEO. Assim, o seu perfil estaria bem mais parecido com Tim Cook do que com Steve Jobs.
A carreiro do novo CEO
Californiano, Ternus formou-se em engenharia mecânica pela Universidade da Pensilvânia, onde integrou a equipe universitária de natação. Em seu projeto final, desenhou um dispositivo que permitia a tetraplégicos controlar, com movimentos da cabeça, um braço mecânico de alimentação. Antes de entrar na Apple, trabalhou por quatro anos em uma startup de realidade virtual.
Na Apple, começou trabalhando nas telas de Macs, ainda na transição para longe dos iMacs coloridos do fim dos anos 1990. Em poucos anos, virou gerente e ganhou o direito de ocupar um escritório fechado, mas preferiu continuar no espaço aberto com a equipe, reforçando a imagem de executivo acessível e avesso a sinais de hierarquia.
Sua ascensão ganhou força quando se tornou um dos principais membros da equipe de Dan Riccio, ex-chefe de hardware da Apple. Em 2013, passou a supervisionar as equipes de Mac e iPad. Mais recentemente, esteve à frente de movimentos estratégicos importantes, como a transição dos Macs dos chips da Intel para processadores desenhados pela própria Apple, um dos marcos técnicos mais relevantes da companhia na era Cook.
O desafio da próxima fase
Se Ternus assume cercado de expectativas, é porque sucede um executivo que redefiniu a escala da Apple. Desde que tomou o lugar de Steve Jobs, Tim Cook transformou a companhia em uma máquina global ainda mais previsível e rentável, levando a receita anual de US$ 108 bilhões para US$ 416 bilhões, em 2025, e ajudando a empurrar o valor de mercado da empresa à casa dos US$ 4 trilhões.
Sob sua gestão, a Apple também consolidou uma base instalada superior a 2,5 bilhões de dispositivos ativos e ampliou o peso do negócio de serviços, reforçando a transição de uma empresa centrada apenas em hardware para uma plataforma global de produtos, software e receitas recorrentes.
Ternus herda uma empresa ainda extremamente rentável e dominante em hardware, mas pressionada a mostrar que sua próxima fase não dependerá apenas do iPhone e de sua já conhecida disciplina de execução.
Em outubro de 2025, o bom desempenho inicial das vendas do iPhone 17, especialmente na China e nos Estados Unidos, levou as ações da companhia à máxima histórica e aproximou seu valor de mercado de US$ 4 trilhões, recolocando a empresa no topo do jogo entre as gigantes globais de tecnologia. Na segunda-feira, 20 de abril, ela fechou o pregão avaliada em US$ 4,01 trilhões.
Ao mesmo tempo, essa sucessão acontece num momento em que a Apple ainda precisa convencer o mercado de que conseguirá transformar inteligência artificial em um novo vetor de crescimento. Já em 2024, quando lançou o iPhone 16 com o Apple Intelligence e a integração com o ChatGPT, a companhia foi descrita como atrasada na corrida da IA e apostava que a nova tecnologia poderia reacender as vendas do smartphone.
A dúvida, desde então, era se esses recursos seriam suficientes para destravar um novo ciclo de substituição de aparelhos e ampliar a demanda para além da base mais fiel da marca.
O desafio da era pós-Cook será provar que a Apple consegue continuar crescendo sem perder sua máquina de eficiência. E, ao mesmo tempo, sem ficar para trás na principal corrida tecnológica desta década e continuar sendo inovadora.
