‘Não desista das crianças’: deslocada pela violência, uma menina haitiana encontra esperança na escola

Pessoas deslocadas dormindo em esteiras dentro da antiga escola secundária Lycee Marie Jeanne para meninas em Porto Príncipe, Haiti, em meio à violência contínua e à atividade de gangues.

Uma adolescente haitiana que foi forçada a fugir de sua casa na capital do Haiti, Porto Príncipe, devido à violência de gangues, exortou os adultos a não “desistirem das crianças”.

Dieussika, de treze anos, vivia pacificamente com a sua família antes que a violência armada e a insegurança os obrigassem a fugir.

“Tivemos que sair de casa e minha irmã quase morreu por causa da asma”, disse ela.

O Haiti continua firmemente nas garras de uma crise de segurança enquanto os gangues lutam pelo controlo do território na capital e fora dela.

A insegurança causou a deslocação de centenas de milhares de pessoas, o que contribuiu para as crises humanitárias e económicas que o país enfrenta.

O conflito, a deslocação, a pobreza e a insegurança convergiram para tornar a aprendizagem quase impossível para centenas de milhares de crianças haitianas.

Durante o ano letivo de 2024–2025, muitas escolas foram diretamente afetadas pela violência, com mais de 1.600 fechadas e dezenas ocupadas por grupos armados.

Em abrigos superlotados e locais de deslocamento, as crianças não têm acesso a livros didáticos, materiais didáticos e professores qualificados.

Famílias encontram refúgio dentro de um prédio escolar em Porto Príncipe, Haiti.

Casas temporárias

A família de Dieussika foi forçada a viver em vários locais temporários, mas a vida continuou difícil. “Existem doenças, insetos que picam… mas apesar de tudo, eu queria continuar a frequentar a escola”, diz ela.

Num local para pessoas deslocadas, ela conseguiu retomar os estudos graças a aulas de recuperação organizadas pela UNICEF.

Hoje, ela sonha em se tornar alguém importante na sociedade para ajudar as crianças e conscientizar os jovens sobre o repúdio à violência armada.

A escola como tábua de salvação

Certa noite, uma forte chuva encharcou seus pertences, destruindo seus livros e roupas. Mesmo assim, Dieussika passou a noite inteira secando-os, decidida a não desistir dos estudos.

“A escola significa muito para mim. Sem educação, meu sonho estaria perdido”, disse ela.

Uma jovem chamada Dieussika, vestindo uma camisa da UNICEF, está sendo ajudada pela mãe e por uma professora enquanto estudava em uma escola improvisada em Porto Príncipe, no Haiti. Ela regressou à educação após a deslocação e está agora a licenciar-se, destacando o impacto do apoio educativo da UNICEF.

Dieussika mostra à família o trabalho escolar.

Suas matérias favoritas são francês e matemática, e ela disse que sente orgulho toda vez que consegue trazer boas notas para seus pais.

Graças a cinco meses de aulas de atualização com o apoio do Education Cannot Wait, um fundo da ONU para a educação em situações de emergência, Dieussika conseguiu fazer os exames e regressar à escola.

“Eu tinha perdido as esperanças, mas essas aulas me deram confiança novamente. Também recebemos formação profissional em crochê, marroquinaria e cosmetologia. Foi uma oportunidade incrível”, lembra ela com orgulho.

Não há sonhos realizados sem educação

Na escola, Dieussika participa ativamente nas aulas de matemática, incentivada e apoiada pela professora. Ela quer pôr fim às dificuldades que a sua família enfrenta e mostrar à sua família que eles também podem seguir os seus passos.

“Quero me tornar alguém importante para ajudar as pessoas. Sem escola não podemos realizar nossos sonhos”, disse ela com determinação.

A sua mensagem aos adultos e aos decisores é clara e comovente: “Não desistam das crianças. Ame-as ainda mais e dê-lhes oportunidades de aprender e sonhar”.

Muitas adolescentes como Dieussika abandonam a escola devido a preocupações de segurança, responsabilidades de prestação de cuidados ou ausência de materiais de higiene menstrual.

Fugir da violência não conseguiu impedir o amor de Dieussika pela aprendizagem | UNICEF Haiti

Graças à ONU e ao seu trabalho com as autoridades e parceiros haitianos, os programas de apoio educativo e psicossocial alcançaram mais de 17.500 crianças, incluindo 10.500 raparigas.

Para Dieussika, como para tantos outros, estes programas representam mais do que educação: são uma tábua de salvação, uma oportunidade para transformar o medo em confiança e ambição.

Fonte: VEJA Economia

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